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Brasil ainda tem 8,4 milhões de analfabetos, aponta IBGE
Mais da metade das pessoas que não sabem ler e escrever vive no Nordeste; país não cumpriu meta de erradicar o analfabetismo até 2024
19/06/2026 14h43
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo da série histórica iniciada em 2016. Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (19), 4,9% da população com 15 anos ou mais não sabe ler nem escrever, o equivalente a 8,4 milhões de pessoas.

Apesar do avanço, o país não conseguiu cumprir a meta prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até o fim de 2024.

Na comparação com 2024, cerca de 592 mil brasileiros deixaram a condição de analfabetos. Há dez anos, eram mais de 10,6 milhões de pessoas nessa situação.

Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos

A desigualdade regional continua sendo um dos principais desafios da educação brasileira. Dos 8,4 milhões de analfabetos do país, 4,8 milhões vivem no Nordeste, o que representa 57,4% do total.

Embora a região reúna pouco mais de um quarto da população brasileira, concentra mais da metade das pessoas que não sabem ler e escrever. O número de analfabetos nordestinos é maior que a população inteira do Amazonas, estimada em pouco mais de 4,1 milhões de habitantes.

Os estados com as maiores taxas de analfabetismo seguem sendo Alagoas e Piauí, segundo o IBGE.

Idosos e população negra são os mais afetados

Os dados mostram que o analfabetismo está fortemente concentrado entre os brasileiros mais velhos. Entre pessoas com 60 anos ou mais, a taxa chega a 13,8%, quase três vezes acima da média nacional.

Dos 8,4 milhões de analfabetos do país, 4,8 milhões estão nessa faixa etária. O cenário reflete as dificuldades históricas de acesso à educação enfrentadas por gerações anteriores.

A pesquisa também aponta desigualdades raciais persistentes. Entre idosos pretos e pardos, a taxa de analfabetismo é quase três vezes maior do que a observada entre idosos brancos, evidenciando um legado de exclusão educacional que ainda se mantém.

Pela primeira vez, no entanto, a taxa de analfabetismo entre mulheres com mais de 60 anos ficou ligeiramente abaixo da registrada entre os homens da mesma faixa etária, indicando avanços na escolarização feminina.

Escolaridade avança no país

Apesar dos desafios, os indicadores de escolaridade apresentaram melhora significativa. Em 2025, 57,4% dos brasileiros com 25 anos ou mais haviam concluído pelo menos o ensino médio. Em 2016, esse percentual era de 46%.

O avanço também foi registrado no ensino superior. A proporção de adultos com diploma universitário passou de 15,4% para 21,4% no período.

A média de anos de estudo da população adulta também cresceu, passando de 9,1 anos em 2016 para 10,2 anos em 2025.

Mesmo com a melhora dos indicadores, especialistas alertam para a redução das matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade voltada para quem não teve acesso à escola na idade adequada. Segundo dados recentes, a oferta da EJA atingiu o menor patamar desde o início da série histórica, em 1996, dificultando a alfabetização da população adulta que ainda permanece fora da escola.