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Polícia quer esclarecer como arma registrada em nome de Bolsonaro foi parar com militar do Exército
Ex-presidente prestará depoimento nesta terça-feira (23) à Polícia Civil do Distrito Federal; caso pode influenciar decisão sobre manutenção da prisão domiciliar
22/06/2026 15h10
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal vai ouvir nesta terça-feira (23) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para esclarecer as circunstâncias que levaram uma arma registrada em seu nome a ser encontrada com um militar do Exército durante uma blitz em Brasília.

O depoimento será realizado presencialmente na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, no Jardim Botânico. Uma equipe formada por delegado e agentes da 17ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga, irá até o local para colher as informações.

Os investigadores buscam entender quem entregou a arma ao militar, quando isso ocorreu e por qual motivo o armamento estava sendo transportado sem a documentação obrigatória.

Segundo fontes ligadas à investigação, ainda não há prazo para conclusão do inquérito, já que o caso pode gerar novos desdobramentos.

Arma foi apreendida em blitz

A apreensão aconteceu na madrugada de 15 de junho, durante uma fiscalização da Polícia Militar na DF-001, em Taguatinga.

O veículo era conduzido pelo segundo-sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, integrante da equipe de segurança de Bolsonaro. Durante a abordagem, os policiais encontraram uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome do ex-presidente.

Embora a arma possuísse registro regular, ela foi apreendida porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) não estava sendo transportado junto com o equipamento.

O militar foi conduzido à delegacia, prestou depoimento e foi liberado.

Defesa alega que arma passaria por manutenção

Em manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Bolsonaro admitiu que a pistola pertence ao ex-presidente.

Segundo os advogados, integrantes da equipe de segurança retiraram o percussor da arma — peça essencial para o disparo — sem o conhecimento prévio de Bolsonaro, tornando o equipamento inoperante.

A justificativa apresentada é que o ex-presidente faz uso de medicamentos psiquiátricos que poderiam afetar sua cognição e aumentar o risco de acidentes.

De acordo com a defesa, Bolsonaro percebeu recentemente uma falha mecânica no armamento e entregou a pistola ao sargento para que fosse realizada uma avaliação técnica e eventual manutenção.

"A entrega do armamento ao militar teve como única finalidade a identificação do defeito e o reparo do equipamento", afirma o documento.

Caso pode impactar decisão de Moraes

O depoimento ocorre na reta final do prazo de 90 dias de prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro pelo ministro Alexandre de Moraes.

A medida foi autorizada em março deste ano após recomendação médica e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, em razão do estado de saúde do ex-presidente.

O benefício termina na próxima quinta-feira (25), e caberá a Moraes decidir se a prisão domiciliar será prorrogada, encerrada ou substituída por novas medidas.

Especialistas avaliam que a apreensão da arma pode ser interpretada como uma possível falta grave, embora as condições médicas que motivaram a concessão da domiciliar permaneçam válidas.

Saúde será analisada

Além do episódio envolvendo a arma, Moraes deverá analisar os relatórios médicos apresentados pela defesa.

Os advogados pediram autorização para a realização de novos exames, incluindo tomografia computadorizada, endoscopia digestiva e pHmetria esofágica.

Segundo os médicos, Bolsonaro continua apresentando problemas relacionados à pneumonia broncoaspirativa, refluxo gastroesofágico, gastrite crônica, fadiga frequente e crises recorrentes de soluços.

O relatório também aponta dificuldades de equilíbrio e limitações físicas decorrentes do quadro clínico.

Restrições da prisão domiciliar

Desde que passou ao regime domiciliar, Bolsonaro está submetido a uma série de restrições determinadas pelo STF.

Entre elas estão:

• Uso de tornozeleira eletrônica;
• Monitoramento permanente da área externa da residência;
• Fiscalização de veículos que entram e saem do local;
• Proibição de manifestações em um raio de um quilômetro da casa;
• Proibição de utilizar redes sociais, celulares ou gravar vídeos e áudios.

O ex-presidente pode receber visitas de familiares, advogados e médicos, mas permanece impedido de realizar encontros políticos durante o cumprimento da medida.

O resultado do depoimento desta terça-feira poderá se tornar um dos elementos considerados pelo Supremo na análise sobre a continuidade ou não da prisão domiciliar.