
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) embarca nesta segunda-feira (22) para Washington, nos Estados Unidos, onde participará de uma série de reuniões com integrantes do governo do presidente Donald Trump e parlamentares do Partido Republicano.
A viagem acontece poucos dias após Eduardo ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de coação no curso do processo. A decisão também tornou o ex-parlamentar inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.
Segundo aliados, o principal objetivo da agenda é apresentar a parlamentares e autoridades norte-americanas a versão do grupo bolsonarista sobre os processos em andamento no Brasil e buscar apoio político para medidas direcionadas ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
Eduardo estará acompanhado do jornalista Paulo Figueiredo, considerado um dos principais articuladores da aproximação entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e setores do Partido Republicano nos Estados Unidos.
A programação inclui encontros na segunda e na terça-feira (23). Entre os compromissos previstos está um jantar com cerca de 20 senadores republicanos.
Nos encontros, Eduardo e Paulo Figueiredo devem reforçar o discurso de que integrantes da direita brasileira estariam sendo alvo de perseguição judicial, argumento frequentemente utilizado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A recente condenação do ex-deputado deve ser um dos principais assuntos das reuniões.
Por unanimidade, ministros do STF entenderam que Eduardo atuou junto a autoridades norte-americanas para pressionar integrantes da Corte e tentar interferir em investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
A defesa de Eduardo contesta a decisão e afirma que houve violação ao devido processo legal.
Nos bastidores, aliados avaliam que a condenação pode fortalecer a narrativa apresentada ao grupo político ligado a Donald Trump, servindo como exemplo do que classificam como excessos do Judiciário brasileiro.
Esta não será a primeira agenda recente de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
No fim de maio, ele esteve em Washington ao lado do senador Flávio Bolsonaro e de Paulo Figueiredo. Na ocasião, participaram de reuniões com integrantes do governo americano e aliados do presidente Donald Trump.
A aproximação entre o grupo bolsonarista e setores do Partido Republicano tem se intensificado nos últimos meses, em meio ao aumento das tensões políticas entre Brasília e Washington.
A viagem ocorre em um momento de forte repercussão política após a Operação Compliance Zero e outras investigações que atingem figuras ligadas tanto ao governo quanto à oposição.
Além disso, as relações entre Brasil e Estados Unidos atravessam um período de atritos diplomáticos, marcado por divergências comerciais, declarações públicas entre líderes dos dois países e debates sobre decisões do Judiciário brasileiro.
A expectativa é que Eduardo Bolsonaro retorne ao Brasil após os compromissos previstos até terça-feira.