
A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um recurso para tentar anular a operação da Polícia Federal que teve o parlamentar como um dos alvos na última quinta-feira (18).
A ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça.
Segundo a Polícia Federal, Jaques Wagner teria atuado em defesa de interesses do Banco Master no Congresso Nacional e, em troca, recebido vantagens indevidas, como um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, além de repasses financeiros para empresas ligadas a familiares.
Em nota, a defesa do senador afirmou que a investigação contém "erros graves" e contestou as acusações. Segundo o advogado Pablo Rodrigues, Jaques Wagner nunca atuou para beneficiar o Banco Master no Congresso.
A defesa argumenta que a única proposta apresentada pelo senador sobre o tema buscava justamente limitar juros e ampliar a proteção aos consumidores, contrariando os interesses da instituição financeira.
Os advogados também afirmam que o parlamentar se posicionou contra a chamada "Emenda Master" durante discussões sobre a autonomia operacional do Banco Central e destacam que não houve qualquer atuação para favorecer o banco.
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 49 mil em espécie em um endereço ligado ao senador em Brasília. A defesa sustenta que os valores têm origem lícita e comprovada, sendo parte proveniente de diárias pagas pelo Senado em viagens oficiais e parte adquirida por operações bancárias regulares.
Outro ponto questionado pelos advogados envolve a suposta transferência de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada ao grupo Banco Master para uma empresa vinculada ao núcleo familiar do senador. A PF investiga se os valores estariam relacionados a vantagens indevidas.
A defesa também contesta uma das interpretações da investigação sobre uma proposta apresentada por Jaques Wagner durante a tramitação de uma medida provisória relacionada ao crédito consignado. Segundo os advogados, a PF teria confundido uma emenda parlamentar com a ementa da proposta legislativa.
Ao final, a defesa afirmou confiar que o STF irá corrigir os supostos equívocos da investigação e reiterou que o senador está tranquilo em relação à sua conduta.
Até o momento, a Polícia Federal não se manifestou sobre os argumentos apresentados pela defesa.