Dinheiro Dinheiro
PF investiga banco ligado a Edir Macedo e bloqueia R$ 670 milhões
Segundo representação da Polícia Federal obtida pelo UOL, o Digimais adotou “práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro
23/06/2026 18h17
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a Operação Miragem para investigar um suposto esquema de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Digimais, instituição ligada ao grupo do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Mais de 50 policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo. A Justiça Federal também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 670,3 milhões.

Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início após a análise de relatórios produzidos pelo Banco Central, que apontaram graves irregularidades na gestão da instituição financeira.

De acordo com os investigadores, o esquema envolvia a manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis para ocultar a real situação financeira do banco e transmitir ao mercado uma imagem de solvência que não corresponderia à realidade.

A PF afirma que as práticas investigadas podem ter permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas de centenas de milhões de reais.

Além disso, os investigadores apuram operações financeiras supostamente ilegais realizadas em benefício da empresa controladora do banco, bem como a possível inserção de informações falsas em sistemas oficiais utilizados pelo órgão regulador.

O bispo Edir Macedo aparece entre os investigados por ser proprietário da instituição financeira. No entanto, como reside no exterior, não houve pedido de busca e apreensão contra ele nesta fase da operação.

Os investigados poderão responder por crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito proibidas pela legislação do sistema financeiro.

O QUE É O DIGIMAIS?

Fundado em 1981 como Banco Renner, em Porto Alegre, o Digimais passou por um processo de transformação digital e adotou o atual nome em 2020.

A instituição tem atuação concentrada no mercado de crédito, especialmente no financiamento de veículos, além da oferta de produtos financeiros para pessoas físicas.

Edir Macedo tornou-se acionista da instituição em 2009 e assumiu o controle integral do banco em 2020.

Nos últimos anos, o Digimais passou por mudanças societárias e enfrentou dificuldades financeiras. Em abril deste ano, o BTG Pactual anunciou um acordo para aquisição do controle do banco, operação que ainda depende de aprovações regulatórias.

A agência de classificação de risco Fitch também rebaixou recentemente a nota da instituição para o nível "CCC(bra)", classificação que indica elevado risco financeiro.

NOTA DO BANCO DIGIMAIS

"O Banco Digimais informa que permanece à disposição para colaborar com a investigação. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes."

POSICIONAMENTO DA DEFESA DE EDIR MACEDO

O escritório responsável pela defesa do bispo Edir Macedo informou que não teve acesso aos autos da operação e que não irá comentar o caso neste momento, por se tratar de instituição financeira.

NOTA DA ID CTVM

"A ID CTVM sente-se no dever de esclarecer que a corretora adota rigorosos padrões de governança e esclarecerá às autoridades sobre suas atividades, comprovando a lisura de suas operações."