A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi obrigada a depositar em juízo R$ 46,1 mil referentes a uma parcela do aluguel do Hospital Indianópolis, na zona sul de São Paulo, utilizado como locação para gravações da produção.
A medida ocorreu porque o hospital era alvo de uma ação de execução relacionada a uma dívida de honorários advocatícios. Durante o processo, a Justiça determinou a penhora de valores ligados ao contrato de locação firmado entre a instituição e a produtora.
O contrato, assinado em setembro de 2025, previa o pagamento de R$ 92,2 mil pela utilização das dependências do hospital. A primeira parcela foi paga diretamente ao proprietário do imóvel, enquanto a segunda foi bloqueada por determinação judicial e posteriormente depositada em uma conta vinculada ao Tribunal de Justiça de São Paulo.
O Hospital Indianópolis foi utilizado para gravar cenas que retratam a internação e a cirurgia de Jair Bolsonaro após o atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018, em Juiz de Fora (MG).
Segundo documentos do contrato, a produtora utilizou diversos espaços da unidade para filmagens, ensaios, maquiagem, figurino e montagem de equipamentos.
Entre as adaptações realizadas, um dos andares foi transformado em um hotel cenográfico, enquanto a recepção recebeu alterações para reproduzir a entrada da Santa Casa de Juiz de Fora. Também foram gravadas cenas em áreas como UTI, salas de espera e postos de enfermagem.
O acordo ainda garantiu à produtora os direitos de utilização das imagens internas e externas do imóvel registradas durante as filmagens.
De acordo com informações do processo, um oficial de Justiça esteve no hospital para realizar levantamento de bens passíveis de penhora quando encontrou a equipe da produtora trabalhando no local.
A partir da análise dos documentos apresentados, a Justiça determinou o arresto do contrato de locação firmado entre o hospital e a Go Up Entertainment.
O valor referente à parcela penhorada foi depositado pela produtora em dezembro de 2025. Posteriormente, o credor responsável pela ação judicial solicitou acesso aos recursos.
Além da questão envolvendo o aluguel do hospital, o filme Dark Horse também está no centro de investigações conduzidas por autoridades.
Uma das apurações analisa possíveis repasses financeiros realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do projeto cinematográfico.
Outro inquérito, conduzido pela Polícia Civil de São Paulo, investiga a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, por suspeita de desvio de recursos públicos que teriam sido utilizados na produção do longa-metragem.
As investigações apuram contratos ligados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade representada pela produtora e que mantém acordo com a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de internet em regiões periféricas da capital.
A produtora e a administração municipal negam irregularidades e afirmam que os contratos seguem a legislação vigente.