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Justiça bloqueia parte de aluguel usado por filme “Dark Horse” de Bolsonaro
Parcela de contrato de R$ 92 mil precisou ser depositada em juízo após decisão da Justiça de São Paulo
24/06/2026 12h48
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi obrigada a depositar em juízo R$ 46,1 mil referentes a uma parcela do aluguel do Hospital Indianópolis, na zona sul de São Paulo, utilizado como locação para gravações da produção.

A medida ocorreu porque o hospital era alvo de uma ação de execução relacionada a uma dívida de honorários advocatícios. Durante o processo, a Justiça determinou a penhora de valores ligados ao contrato de locação firmado entre a instituição e a produtora.

O contrato, assinado em setembro de 2025, previa o pagamento de R$ 92,2 mil pela utilização das dependências do hospital. A primeira parcela foi paga diretamente ao proprietário do imóvel, enquanto a segunda foi bloqueada por determinação judicial e posteriormente depositada em uma conta vinculada ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Hospital serviu de cenário para cenas da facada

O Hospital Indianópolis foi utilizado para gravar cenas que retratam a internação e a cirurgia de Jair Bolsonaro após o atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018, em Juiz de Fora (MG).

Segundo documentos do contrato, a produtora utilizou diversos espaços da unidade para filmagens, ensaios, maquiagem, figurino e montagem de equipamentos.

Entre as adaptações realizadas, um dos andares foi transformado em um hotel cenográfico, enquanto a recepção recebeu alterações para reproduzir a entrada da Santa Casa de Juiz de Fora. Também foram gravadas cenas em áreas como UTI, salas de espera e postos de enfermagem.

O acordo ainda garantiu à produtora os direitos de utilização das imagens internas e externas do imóvel registradas durante as filmagens.

Oficial de Justiça encontrou equipe durante vistoria

De acordo com informações do processo, um oficial de Justiça esteve no hospital para realizar levantamento de bens passíveis de penhora quando encontrou a equipe da produtora trabalhando no local.

A partir da análise dos documentos apresentados, a Justiça determinou o arresto do contrato de locação firmado entre o hospital e a Go Up Entertainment.

O valor referente à parcela penhorada foi depositado pela produtora em dezembro de 2025. Posteriormente, o credor responsável pela ação judicial solicitou acesso aos recursos.

Produção é alvo de investigações

Além da questão envolvendo o aluguel do hospital, o filme Dark Horse também está no centro de investigações conduzidas por autoridades.

Uma das apurações analisa possíveis repasses financeiros realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do projeto cinematográfico.

Outro inquérito, conduzido pela Polícia Civil de São Paulo, investiga a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, por suspeita de desvio de recursos públicos que teriam sido utilizados na produção do longa-metragem.

As investigações apuram contratos ligados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade representada pela produtora e que mantém acordo com a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de internet em regiões periféricas da capital.

A produtora e a administração municipal negam irregularidades e afirmam que os contratos seguem a legislação vigente.