Um dia após deixar a liderança do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que reclamou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da atuação da Polícia Federal durante a operação em que foi alvo no âmbito da investigação sobre o Banco Master. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o parlamentar criticou a divulgação de imagens do dinheiro apreendido em seu apartamento e classificou a ação como uma "espetacularização".
Segundo Wagner, a forma como a operação foi conduzida contrariou a determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia determinado que a busca e apreensão ocorresse de maneira discreta por causa do sigilo da investigação.
O senador afirmou que levou a reclamação ao presidente Lula e defendeu que a direção da Polícia Federal adote medidas para evitar esse tipo de exposição durante operações.
Na entrevista, Jaques Wagner reconheceu manter relacionamento com o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, mas negou que isso represente qualquer irregularidade.
O senador afirmou que costuma aceitar caronas de empresários quando coincidem agendas de viagem e disse que nunca recebeu aeronaves particulares à sua disposição. Também minimizou o recebimento de convites para eventos, afirmando que esse tipo de relação não caracteriza favorecimento.
Segundo Wagner, o que precisa ser demonstrado pela investigação é a existência de uma troca de favores, hipótese que ele nega.
Outro ponto abordado pelo senador foi o contrato firmado entre o Banco Master e uma empresa da qual sua nora é sócia.
Jaques Wagner afirmou que os valores movimentados foram superiores aos R$ 3,5 milhões divulgados pela Polícia Federal, mas sustentou que todos os pagamentos decorreram de contratos regulares e registrados contabilmente.
De acordo com o parlamentar, os R$ 3,5 milhões citados na investigação correspondem apenas ao pagamento pela rescisão contratual, enquanto a empresa já havia recebido outros valores durante a execução do contrato.
Questionado sobre a negociação envolvendo um apartamento em Salvador, Wagner afirmou que pretendia adquirir o imóvel para presentear a filha e negou qualquer relação da negociação com supostos atos de corrupção.
Ele também declarou ter encontrado Daniel Vorcaro apenas duas vezes, ambas em compromissos relacionados à indicação do ministro aposentado Ricardo Lewandowski para prestar consultoria jurídica ao Banco Master.
Segundo o senador, ele apenas apresentou o ex-ministro aos representantes da instituição financeira e não participou das tratativas posteriores.
Jaques Wagner foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento envolvendo o Banco Master.
As investigações apuram se o senador teria recebido vantagens econômicas, direta ou indiretamente, em troca de atuação política favorável aos interesses da instituição financeira.
O parlamentar nega todas as acusações, afirma que irá colaborar com as investigações e sustenta que não existe qualquer relação entre seus contatos pessoais com empresários e os fatos investigados pela Polícia Federal.