O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) fechou o Centro Obstétrico por pelo menos 72 horas após identificar um surto da bactéria Serratia spp na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. A medida começou ao meio-dia desta segunda-feira (30) e deve permanecer em vigor até quinta-feira (2), período em que serão realizados procedimentos de limpeza e contenção da bactéria.
Desde sexta-feira (26), oito pacientes tiveram diagnóstico confirmado para a infecção. O caso mais recente foi registrado na manhã de segunda-feira. Paralelamente, a instituição investiga se duas mortes de bebês prematuros têm relação com a bactéria.
Em nota, o hospital informou que os recém-nascidos tinham 23 e 27 semanas de gestação e já apresentavam quadro clínico extremamente grave antes da detecção da infecção.
Os demais pacientes infectados permanecem internados em estado grave, porém estável, e estão isolados para evitar a disseminação da bactéria.
Durante o período de fechamento, o Hospital de Clínicas informou que busca transferir as gestantes atualmente internadas para outras unidades de saúde. A instituição também orienta que novas pacientes procurem atendimento em outros hospitais da capital.
A Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre informou que acompanha o caso e presta apoio às medidas adotadas pelo hospital para controlar o surto e garantir a segurança dos pacientes.
O Centro Obstétrico só deverá retomar as atividades após a conclusão dos protocolos de desinfecção e da avaliação das condições sanitárias da unidade.
A Serratia spp é uma bactéria oportunista que pode causar infecções graves, principalmente em pacientes hospitalizados e com o sistema imunológico mais vulnerável, como recém-nascidos prematuros.
Entre as complicações, a infecção pode provocar alterações na coagulação do sangue, aumentando o risco de anemia e hemorragias em pacientes com baixa contagem de plaquetas.
Outro fator que preocupa os especialistas é a capacidade da bactéria de desenvolver resistência a diversos antibióticos, o que dificulta o tratamento e exige protocolos rigorosos de controle de infecção hospitalar.