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Terremotos agravam crise humanitária na Venezuela
Com mais de 1,7 mil mortos e milhares de desabrigados, tragédia cria nova onda de deslocados internos e dificulta resgate das vítimas
30/06/2026 17h22
Por: Redação
Foto: Reprodução

Os terremotos que atingiram a Venezuela na última semana agravaram a crise humanitária vivida pelo país e criaram uma nova realidade para milhares de famílias: a dos deslocados internos. Além do êxodo de milhões de venezuelanos nos últimos anos, agora milhares de pessoas perderam suas casas e aguardam, sem previsão, por moradia e assistência.

O balanço mais recente do governo aponta 1.719 mortos, mais de 5 mil feridos e 15.866 pessoas desalojadas. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 6 milhões de pessoas tenham sido afetadas pelos tremores e que aproximadamente 50 mil continuem desaparecidas.

A situação é mais crítica em La Guaira, estado vizinho à capital Caracas, onde centenas de edifícios desabaram parcial ou totalmente. Famílias passaram a viver em abrigos improvisados, ginásios e áreas abertas enquanto aguardam uma solução para recomeçar.

Porto de La Guaira vira necrotério improvisado

A dimensão da tragédia fez o porto de La Guaira ser transformado em um necrotério improvisado. Médicos legistas trabalham ao ar livre na identificação das vítimas, enquanto familiares enfrentam longas filas para reconhecer os corpos e realizar os procedimentos de sepultamento ou cremação.

Os necrotérios dos hospitais ficaram sobrecarregados diante da quantidade de mortos. Para auxiliar nas operações, a ONU anunciou o envio de 10 mil bolsas mortuárias ao país, enquanto funerárias privadas passaram a oferecer gratuitamente serviços de traslado e cremação.

Moradores também relatam dificuldades nas buscas por desaparecidos e criticam a demora na resposta das autoridades. Em muitos bairros, os próprios civis iniciaram os resgates antes da chegada das equipes oficiais.

Resgates continuam e sobreviventes ainda são encontrados

Mesmo seis dias após os terremotos, as equipes de busca seguem encontrando sobreviventes. Nesta terça-feira (30), uma criança de três anos foi retirada com vida dos escombros de um prédio em Caracas por uma equipe de resgate da Jordânia.

As operações contam com apoio de equipes internacionais, mas seguem dificultadas pela grande quantidade de estruturas destruídas, pelo calor intenso e pelas condições instáveis dos edifícios remanescentes.

Além dos danos à infraestrutura, milhares de apartamentos permanecem interditados por risco de desabamento, obrigando famílias inteiras a permanecerem em colchões improvisados nas ruas ou em abrigos temporários.

Enquanto as buscas continuam, a Venezuela enfrenta o desafio de atender milhares de desabrigados, reconstruir áreas devastadas e lidar com uma crise humanitária que se soma ao longo processo de migração enfrentado pelo país na última década.