
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (30), durante a 68ª Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, que o bloco dará início às negociações para uma parceria econômica com o Japão. Segundo ele, o objetivo é ampliar a presença do Mercosul em mercados estratégicos e fortalecer a inserção internacional dos países-membros.
Em discurso aos chefes de Estado, Lula afirmou que o Mercosul também pretende iniciar, em breve, negociações com a China, além de manter o avanço das conversas já em andamento com Canadá, Índia e Vietnã.
"O Mercosul está avançando nos diálogos com Canadá, Índia e Vietnã. Nessa cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta", declarou.
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que um eventual acordo entre Mercosul e Japão poderá ampliar oportunidades para o agronegócio brasileiro e fortalecer o comércio entre os dois mercados.
Durante o encontro, Lula afirmou que o Mercosul precisa ter instituições sólidas e não depender das mudanças de governo nos países integrantes.
Segundo o presidente, o funcionamento do bloco não pode variar conforme o resultado das eleições de cada país, sob o risco de comprometer o processo de integração regional.
"O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição desse ou daquele presidente, senão a gente nunca vai ter um bloco realmente forte funcionando", afirmou.
Lula também classificou o Mercosul como o principal espaço institucional de uma América do Sul "cada vez mais polarizada" e defendeu que o projeto de integração regional esteja acima das divergências ideológicas.
O presidente ressaltou que a melhor estratégia para o Mercosul é ampliar os mecanismos de diálogo e cooperação entre os países, preservando os interesses comuns do bloco.
Durante o discurso, Lula também afirmou que nenhum país deve se submeter automaticamente a alinhamentos internacionais.
"Ninguém é dono do mundo. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes", disse.
A declaração foi feita durante a cúpula realizada em Assunção, que reúne os presidentes dos países-membros e associados para discutir integração econômica, acordos comerciais e temas da agenda regional.