Política Política
Flávio afirma aos EUA que tarifaço de 25% favorece Lula
Senador afirma que manutenção da sobretaxa antes das eleições pode fortalecer politicamente o governo Lula e prejudicar a economia
02/07/2026 18h06
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou ao governo dos Estados Unidos um ofício solicitando a suspensão da tarifa de 25% prevista sobre produtos brasileiros. O documento foi enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela política comercial do país, e integra as discussões sobre a possível aplicação da medida.

No ofício, enviado nesta quarta-feira (1º), o parlamentar afirma que a manutenção do chamado "tarifaço" antes das eleições presidenciais brasileiras pode beneficiar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Flávio, a adoção da medida fortaleceria a estratégia do governo brasileiro de atribuir aos Estados Unidos a responsabilidade por eventuais prejuízos econômicos, o que, na avaliação dele, poderia favorecer Lula eleitoralmente.

Senador pede adiamento da medida

No documento, Flávio Bolsonaro afirma que se reuniu recentemente com o presidente norte-americano Donald Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, para discutir as tarifas comerciais.

O senador pede que a aplicação da sobretaxa seja adiada pelo menos até a realização das eleições presidenciais no Brasil. Segundo ele, evitar a adoção da medida durante o período eleitoral impediria que ela fosse interpretada como uma tentativa de influenciar o resultado da disputa.

Ainda de acordo com o parlamentar, a manutenção das tarifas também poderia prejudicar consumidores, empresas brasileiras e setores da economia dos Estados Unidos que mantêm relações comerciais com o Brasil.

Governo americano deu prazo ao Brasil

A proposta de sobretaxação foi apresentada após investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O relatório preliminar aponta supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.

Entre os pontos citados estão políticas relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, desmatamento ilegal e regras aplicadas a plataformas de tecnologia.

O governo norte-americano estabeleceu prazo até 15 de julho para que o Brasil apresente medidas consideradas corretivas antes da aplicação definitiva das tarifas.

A proposta prevê uma taxação de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, mas mantém isentos itens estratégicos para o mercado americano, como carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, minérios, fertilizantes, aviões e produtos farmacêuticos.