O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) que pretende dissolver seu governo na Faixa de Gaza e transferir a administração do território para um comitê tecnocrata palestino. A decisão ocorre em meio ao impasse nas negociações do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e é vista como uma tentativa de aumentar a pressão sobre Israel para avançar nas próximas etapas do plano.
Em comunicado, o chefe do Gabinete de Mídia do Governo (GMO), Ismail al-Thwabta, afirmou que o grupo concluiu todos os preparativos administrativos e legais para a transição do poder ao Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), previsto no acordo de cessar-fogo.
Apesar do anúncio, o Hamas não mencionou o desarmamento da organização, uma das principais exigências de Israel para a segunda fase das negociações e um ponto que continua sendo rejeitado pelo grupo.
Embora tenha valor simbólico, a decisão não altera, por enquanto, a situação na Faixa de Gaza. O Hamas continua controlando as áreas do território que não estão sob ocupação das forças israelenses.
A proposta prevê que o NCAG assuma a administração civil da região, incluindo cerca de 60 mil servidores públicos atualmente ligados ao governo do Hamas. No entanto, ainda não há prazo definido para que o comitê entre efetivamente em funcionamento.
O grupo também pediu que os mediadores internacionais e a comunidade internacional pressionem Israel para permitir a entrada do comitê em Gaza e viabilizar a transição administrativa.
O Conselho de Paz, criado para acompanhar a implementação do cessar-fogo, informou que recebeu o anúncio do Hamas, mas afirmou que aguardará ações concretas antes de considerar qualquer avanço. O órgão reiterou que o princípio básico do acordo continua sendo "uma autoridade, uma lei e uma arma", reforçando a necessidade do desarmamento do grupo.
Especialistas avaliam que a iniciativa busca aumentar a pressão internacional sobre Israel, especialmente diante do interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em destravar as negociações.
O plano de cessar-fogo, em vigor desde outubro, segue enfrentando dificuldades para ser implementado. Israel mantém operações militares em grande parte da Faixa de Gaza, enquanto o Hamas continua exercendo influência nas áreas sob seu controle, impedindo a consolidação da administração prevista no acordo.