Economia Tarifaço
EUA iniciam audiências sobre tarifa de 25% a produtos brasileiros
Representantes dos governos, da indústria, do agronegócio e do Congresso participam de audiências em Washington antes da decisão dos Estados Unidos, prevista para 15 de julho
06/07/2026 15h29
Por: Lavínia Dornellas
Imagem: Reprodução

Os Estados Unidos iniciam nesta segunda-feira (6) uma etapa decisiva da investigação comercial que poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

As audiências públicas, realizadas em Washington pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), seguem até terça-feira (7) e reúnem representantes dos dois países para apresentar argumentos favoráveis e contrários à medida.

A sobretaxa foi proposta após o USTR acusar o Brasil de adotar práticas consideradas desleais ao comércio norte-americano. Entre os pontos questionados estão o sistema de pagamentos Pix, regras sobre propriedade intelectual, comércio digital, importação de etanol, combate ao desmatamento ilegal e decisões regulatórias brasileiras.

A decisão final sobre a adoção da tarifa deve ser anunciada até o dia 15 de julho.

Flávio Bolsonaro participa das audiências

No primeiro dia de debates, representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Associação Brasileira da Indústria de Arroz, do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI) e o jornalista Paulo Figueiredo apresentam seus posicionamentos.

Flávio pretende defender o adiamento da tarifa até depois das eleições presidenciais brasileiras, argumentando que a medida poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Governo brasileiro tenta evitar tarifa

O governo brasileiro apresentou oficialmente ao USTR uma manifestação contestando os fundamentos da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

No documento, o Brasil afirma que as acusações sobre o Pix, comércio digital e outras políticas públicas não justificam a adoção de sanções comerciais e sustenta que a tarifa proposta seria inadequada e prejudicial para ambos os países.

Enquanto isso, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mantém negociações com o governo norte-americano.

O ministro Márcio Elias Rosa ainda deverá participar de novas reuniões com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes da decisão prevista para o dia 15 de julho.