As tensões entre Japão e China voltaram a crescer nesta terça-feira (7) após um incidente envolvendo embarcações das guardas costeiras dos dois países nas proximidades do arquipélago de Senkaku, no Mar da China Oriental. Cada lado afirma ter expulsado navios do rival e acusa o outro de violar seu território marítimo.
As ilhas, administradas pelo Japão e chamadas de Senkaku, são reivindicadas pela China, que as denomina Diaoyu. O arquipélago é desabitado, mas ocupa uma área estratégica entre a ilha japonesa de Okinawa e Taiwan, sendo alvo de uma disputa territorial que se arrasta há décadas.
Segundo a Guarda Costeira do Japão, quatro embarcações chinesas navegaram pela região e duas delas entraram em águas territoriais japonesas para se aproximar de um barco pesqueiro do país. Em comunicado, o órgão informou que emitiu ordens de retirada e conseguiu afastar os navios chineses da área.
As autoridades japonesas classificaram a ação como uma violação do direito internacional e reafirmaram que continuarão monitorando a região para proteger sua soberania.
A China, por outro lado, apresentou uma versão diferente do episódio. A Guarda Costeira Chinesa afirmou que foi um barco pesqueiro japonês, identificado como Zuihou Maru, que entrou em águas territoriais chinesas. Segundo Pequim, suas embarcações realizaram advertências e adotaram as medidas necessárias para expulsar o pesqueiro da área.
O incidente ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre os dois países. As ilhas Senkaku/Diaoyu são administradas pelo Japão desde a década de 1970, mas a China reivindica a soberania sobre o arquipélago e envia com frequência embarcações para patrulhar a região.
A área é considerada estratégica por sua posição geográfica e pelo potencial de recursos pesqueiros e energéticos, tornando-se um dos principais pontos de atrito entre Tóquio e Pequim.
As relações bilaterais já vinham deterioradas desde o fim de 2025, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia provocar uma resposta militar do Japão, aumentando a tensão entre os dois governos.