A Polícia Federal (PF) realizou, na manhã desta quarta-feira (8), uma operação na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, para verificar a existência de armas de fogo registradas em seu nome. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), diante de divergências identificadas entre os armamentos registrados e aqueles efetivamente entregues à Justiça.
Segundo a defesa de Bolsonaro, os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão que previa a localização de armas, munições, acessórios e documentos de registro. Os advogados afirmaram que nenhum dos itens foi encontrado durante a diligência. A Polícia Federal confirmou a realização da operação, mas não divulgou detalhes sobre o resultado das buscas.
A residência do ex-presidente, localizada no bairro Jardim Botânico, foi alvo da operação, que durou menos de uma hora, de acordo com investigadores.
Na decisão que autorizou as buscas, Alexandre de Moraes afirmou que havia inconsistências nas informações prestadas sobre o paradeiro das armas vinculadas ao ex-presidente. Para o ministro, a possibilidade de Bolsonaro ainda manter armamentos sob sua posse é incompatível com o cumprimento da prisão domiciliar humanitária.
Moraes classificou a busca e apreensão como uma medida necessária para garantir o cumprimento integral da determinação judicial de entrega de todas as armas de fogo registradas em nome de Bolsonaro.
A decisão também cita que o objetivo da operação era eliminar qualquer dúvida sobre a permanência de armamentos sob posse direta ou indireta do ex-presidente.
No último dia 3 de julho, Moraes prorrogou a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro e determinou a revogação do Certificado de Registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), além da apreensão de todas as armas vinculadas ao ex-presidente.
Na ocasião, a defesa informou ao STF que, das dez armas mencionadas na decisão judicial, duas já haviam sido entregues à Polícia Federal em 2023 por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), enquanto outras oito estariam sob guarda do Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília.
Posteriormente, o próprio Exército informou ao Supremo que apenas seis dessas oito armas estavam sob sua custódia, indicando a ausência de duas armas que haviam sido mencionadas pela defesa. A divergência levou Moraes a autorizar a nova operação desta quarta-feira para esclarecer o paradeiro dos armamentos restantes.
Bolsonaro cumpre atualmente pena de 27 anos e 3 meses de prisão, em regime de prisão domiciliar humanitária, concedida em março deste ano em razão do tratamento de saúde após um quadro de broncopneumonia bacteriana.