O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de crescimento da economia brasileira para 2026. Segundo o relatório World Economic Outlook (Panorama Econômico Mundial), divulgado nesta quarta-feira (8), a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil passou de 1,9% para 2,4%, uma alta de 0,5 ponto percentual em relação à previsão divulgada em abril. Para 2027, a estimativa também foi revisada para cima, de 2% para 2,2%.
De acordo com o FMI, a economia brasileira deverá continuar apresentando desempenho resiliente nos próximos anos, mesmo com uma desaceleração moderada prevista para 2027. A instituição atribui parte dessa melhora ao cenário internacional, especialmente ao aumento dos preços do petróleo, que favorece países exportadores da commodity fora das regiões de conflito, como o Brasil.
A nova previsão do FMI ficou acima das estimativas do mercado financeiro e do próprio governo brasileiro. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira (6), aponta crescimento de 1,99% para o PIB em 2026 e de 1,69% em 2027.
Já o Ministério da Fazenda manteve, em maio, a expectativa de expansão de 2,3% da economia, sustentada principalmente pelo desempenho da indústria e do setor de serviços.
Na semana passada, o FMI já havia classificado a economia brasileira como "notavelmente resiliente" diante dos choques econômicos recentes, avaliando que o país deverá manter crescimento próximo de 2,5% no médio prazo.
No panorama internacional, o Fundo manteve praticamente inalteradas as projeções para a economia mundial. A expectativa é de crescimento de 3% em 2026 e de 3,4% em 2027.
Entre as principais economias, os Estados Unidos devem crescer 2,3% em 2026 e 2,2% em 2027, enquanto a Zona do Euro deverá registrar expansão de 0,9% e 1,2%, respectivamente.
Nos mercados emergentes, a Índia segue como destaque, com previsão de crescimento de 6,4% em 2026 e 6,7% em 2027. A China deve avançar 4,6% neste ano e 4,1% no próximo. Para a América Latina e o Caribe, o FMI projeta crescimento de 2,4% em 2026 e de 2,7% em 2027.
Em entrevista ao SBT News, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, afirmou que a revisão do FMI reflete sinais recentes de fortalecimento da atividade econômica, como o aumento do crédito e o desempenho do mercado de automóveis.
Apesar disso, ele avalia que a projeção de crescimento de 2,4% ainda pode ser otimista diante do atual cenário de juros elevados e desaceleração dos investimentos. Segundo o economista, um crescimento próximo de 2% seria mais compatível com as condições atuais da economia.
Vale também destacou que a inflação continua pressionada por fatores como a alta do petróleo e eventos climáticos, o que deve manter a taxa básica de juros em patamar elevado durante o segundo semestre.
Na avaliação dele, o Banco Central deverá enfrentar um ambiente desafiador para conduzir a política monetária, com tendência de manutenção da taxa de juros em torno de 14% ao longo dos próximos meses.