
Erling Haaland voltou para a Noruega após a eliminação da seleção na Copa do Mundo, mas foi um souvenir inusitado carregado pelo atacante que roubou a cena no desembarque: um guaxinim empalhado. A imagem viralizou e levantou uma dúvida sobre a compra, a venda e o transporte internacional de animais taxidermizados.
O item foi adquirido em uma loja de produtos inspirados no Velho Oeste, em Dallas, no Texas. No site do estabelecimento, o guaxinim taxidermizado custa o equivalente a cerca de R$ 3,8 mil e aparece como esgotado.
A taxidermia, conhecida popularmente como empalhamento, é uma técnica usada para preservar a aparência de animais mortos. O processo mantém características como pele, formato e tamanho por meio do tratamento do material e da montagem sobre uma estrutura que reproduz o corpo do animal.
As regras variam de acordo com a espécie e o estado americano. A legislação federal dos Estados Unidos concentra parte das restrições em espécies protegidas e em animais obtidos ilegalmente.
No Texas, a comercialização de peças envolvendo guaxinins pode ser permitida conforme a origem do animal e o cumprimento das exigências estaduais. Em determinados casos, atividades comerciais também dependem de licenciamento específico.
Segundo especialistas em direito ambiental, as normas americanas tendem a ser mais flexíveis para espécies abundantes ou que não estejam submetidas a proteção federal específica.
Para entrar na Noruega com um produto de origem animal, no entanto, o viajante pode ter de declarar o item à alfândega e cumprir exigências sanitárias. Espécies protegidas também estão sujeitas a licenças e controles adicionais.
No Brasil, o controle é mais rigoroso. Embora a legislação não trate apenas da taxidermia, as normas ambientais alcançam a posse, o comércio, o transporte e a utilização de produtos derivados da fauna.
A Lei de Proteção à Fauna restringe a exploração e a comercialização de animais silvestres e de produtos ligados a essas espécies, salvo nas situações autorizadas pelos órgãos competentes.
Para animais silvestres nacionais, a procedência legal é essencial. A compra de uma peça taxidermizada exige comprovação de origem autorizada e documentação correspondente, conforme as regras aplicáveis ao espécime.
No caso de um animal empalhado comprado no exterior, a entrada no país também passa por controle sanitário e ambiental.
Produtos taxidermizados vindos de outros países podem depender de autorização prévia de importação e de documentos que comprovem o cumprimento das exigências sanitárias brasileiras.
O item deve ser declarado no controle alfandegário e apresentado à Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro). A fiscalização verifica ainda possíveis riscos sanitários e a presença de organismos que possam representar ameaça ao país.
Dependendo da espécie e da origem da peça, também podem ser necessárias autorizações ambientais. A ausência de documentos que comprovem a procedência pode impedir a entrada do produto e gerar outras medidas previstas na legislação.
Não. A técnica é permitida e amplamente utilizada em pesquisas, universidades, museus e acervos científicos. O ponto central é a origem legal do animal e o cumprimento das regras para posse, transporte e comercialização.
Especialistas alertam que o controle também ajuda a evitar riscos sanitários e a impedir que a venda de peças estimule a captura ou a morte ilegal de animais.
Por isso, uma lembrança como a carregada por Haaland pode ser comprada legalmente em determinados locais dos Estados Unidos, mas não significa que possa ser levada livremente para qualquer país. No Brasil, a entrada de um animal taxidermizado depende de documentação e análise dos órgãos responsáveis.