Geral Polícia
Loja de capinhas teria lavado R$ 50 milhões do tráfico
Dona de empresa foi presa em operação contra esquema financeiro que, segundo o MPRJ, movimentou R$ 100 milhões e ocultou recursos de diferentes facções
15/07/2026 15h23
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Uma loja de acessórios para celular com capital social declarado de R$ 50 mil movimentou quase R$ 50 milhões em apenas dois anos. Segundo investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil, a empresa fazia parte de uma estrutura usada para lavar dinheiro do tráfico de drogas.

Bárbara Luzia Souza de Carvalho, apontada como dona da Babe Shopee Cell, foi presa nesta quarta-feira (15) durante a Operação Hawala. A ação cumpriu mandados em quatro estados e mira um esquema financeiro que teria movimentado cerca de R$ 100 milhões em três anos.

De acordo com os investigadores, a maior parte dos recursos movimentados pela loja estaria ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP). A estrutura, porém, também teria ocultado dinheiro do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Empresas de fachada escondiam origem do dinheiro

A investigação começou após a polícia identificar uma loja ligada à cúpula do TCP no Complexo do São Carlos, no Rio de Janeiro. O estabelecimento seria usado para comercializar produtos falsificados e receber aparelhos eletrônicos roubados.

Durante o rastreamento das movimentações financeiras, os agentes chegaram a uma rede de dezenas de empresas espalhadas por diferentes estados. Segundo a força-tarefa, parte desses negócios existia apenas para movimentar e dar aparência legal ao dinheiro obtido por atividades criminosas.

Os investigadores também identificaram o uso de uma prática conhecida como smurfing. Nesse modelo, grandes quantias são divididas em vários depósitos menores, geralmente em dinheiro, para dificultar a identificação de operações suspeitas pelos sistemas de controle financeiro.

Operação prendeu dez pessoas

Além de Bárbara Luzia, outras nove pessoas foram presas. Entre elas estão os irmãos libaneses Reda, Yasser e Kassem Zayoun, apontados pela investigação como responsáveis pela expansão da estrutura financeira para outros estados e também para fora do Brasil.

Policiais e promotores cumpriram ainda 37 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu, no Paraná.

A Justiça também determinou o bloqueio de recursos financeiros e a indisponibilidade de bens e participações em empresas ligadas aos investigados.

Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ. A denúncia foi aceita pela Justiça, e os investigados passaram à condição de réus.

Investigação apura possível conexão internacional

Durante a apuração, os investigadores encontraram uma relação comercial entre uma empresa ligada ao grupo e o egípcio Haytham Ahmad Shukri, investigado pelo governo dos Estados Unidos por suspeita de ligação com a Al-Qaeda.

A Polícia Civil ressaltou, porém, que os dados ainda estão em análise e que não é possível confirmar qualquer vínculo entre o esquema investigado no Brasil e a organização terrorista.

As investigações continuam para identificar o destino dos recursos, outras empresas utilizadas na movimentação do dinheiro e possíveis integrantes da rede financeira.