
Abastecer com etanol está mais vantajoso do que escolher a gasolina em Goiás e outros dez estados brasileiros. O cenário aparece em levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado nesta terça-feira (14), com base nos preços médios praticados nos postos.
A comparação considera a chamada regra dos 70%. Como o etanol geralmente apresenta menor rendimento por litro, o combustível tende a compensar financeiramente quando custa menos de 70% do preço da gasolina.
Além de Goiás, a relação é favorável ao etanol no Distrito Federal, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Bahia, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Sergipe. Nas demais unidades da federação, a gasolina mantém vantagem pela média de preços analisada.
A maior presença do etanol entre as opções competitivas está relacionada, principalmente, às regiões com forte produção de cana-de-açúcar e maior disponibilidade do biocombustível.
Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto-GO), Márcio Martins de Castro Andrade destaca que a posição de Goiás entre os maiores produtores nacionais favorece o consumidor.
“Temos todos os motivos para o consumidor optar pelo etanol no estado de Goiás. Tanto ambiental quanto economicamente”, afirma.
Segundo Andrade, Goiás é o segundo maior produtor de etanol do país. A produção elevada aumenta a oferta e contribui para preços mais competitivos no mercado local.
O presidente do Sindiposto-GO também aponta reflexos na economia estadual, com geração de empregos, renda e receitas ligadas à cadeia produtiva. Além do aspecto financeiro, o etanol é uma fonte renovável e apresenta menor emissão de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis.
A competitividade do biocombustível ganha um novo capítulo com a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de elevar de 30% para 32% a quantidade de etanol anidro misturada à gasolina.
A nova composição, chamada de E32, começa a valer em 1º de agosto e terá duração inicial de 180 dias. O período poderá ser prorrogado uma vez pelo mesmo prazo.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida busca reduzir a exposição do Brasil às oscilações internacionais do petróleo e ampliar o uso de combustíveis produzidos no país, diante das tensões entre Estados Unidos e Irã.
A estimativa do governo é de uma redução de cerca de 900 milhões de litros por ano nas importações de gasolina. A ampliação do etanol na mistura também é apontada como uma forma de diminuir as emissões de gases de efeito estufa.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o governo acompanhará o mercado internacional durante os próximos meses antes de decidir se o E32 será mantido de forma definitiva.
Além do cenário externo, a evolução dos preços nos postos dependerá do comportamento da safra de cana-de-açúcar, das cotações internacionais do petróleo e das políticas comerciais adotadas pelo setor de combustíveis.