O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou nesta quinta-feira (16) as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, após o anúncio da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em pronunciamento no Itamaraty, o chanceler afirmou que as manifestações do representante norte-americano são "inaceitáveis e ofensivas" ao Brasil.
Segundo Vieira, Rubio fez ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao responsabilizar o governo brasileiro pela decisão anunciada pelos Estados Unidos.
Durante o pronunciamento, Mauro Vieira afirmou que o governo brasileiro buscou diálogo com as autoridades norte-americanas em diferentes momentos e classificou como "grosseira e arrogante" a postura adotada por Marco Rubio.
O chanceler também declarou que as justificativas apresentadas pelo governo de Donald Trump para impor a tarifa não têm fundamento técnico e que a decisão possui motivação política.
Antes da coletiva, Vieira participou de uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula e integrantes da equipe econômica e diplomática para discutir a resposta brasileira às novas medidas comerciais.
O governo dos Estados Unidos confirmou que a sobretaxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros passará a valer em 22 de julho. A decisão foi tomada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais.
Entre os pontos citados pelo relatório está o Pix. Na avaliação das autoridades americanas, o sistema brasileiro de pagamentos prejudicaria empresas privadas do setor financeiro por oferecer transferências gratuitas aos usuários.
Apesar da nova tarifa, diversos produtos brasileiros ficaram de fora da medida. A lista de exceções inclui itens como café, carne bovina, laranja, açaí, mel orgânico e minerais considerados estratégicos.
Após o anúncio, o governo federal divulgou uma nota classificando a decisão americana como um episódio "lastimável" na relação entre os dois países.
Na manifestação oficial, o governo brasileiro também afirmou que não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelo USTR e declarou ter apresentado argumentos técnicos para contestar as acusações durante as negociações.
O comunicado ainda atribui parte da escalada da crise comercial à atuação da família Bolsonaro, acusando aliados do ex-presidente de incentivarem medidas contrárias aos interesses econômicos do Brasil.