
Os Estados Unidos avisaram ao governo brasileiro que poderão ampliar as medidas comerciais caso o Brasil responda ao novo tarifaço anunciado por Washington. Segundo autoridades americanas ouvidas em negociações entre os dois países, uma eventual retaliação poderá provocar uma escalada semelhante à registrada anteriormente com Canadá e China.
De acordo com os interlocutores, apenas esses dois países reagiram às sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e, em ambos os casos, a resposta americana foi ampliar ainda mais as tarifas, intensificando a disputa comercial.
Apesar do alerta, representantes americanos afirmaram que ainda existe espaço para negociações técnicas. O cenário, no entanto, teria sido dificultado pelo aumento das tensões políticas entre os dois governos.
Na quinta-feira (16), a administração de Donald Trump confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas desleais.
Em resposta, o Palácio do Planalto informou que iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e também pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão dos Estados Unidos como unilateral e afirmou que a investigação que embasou a medida não possui legitimidade.
O governo federal concentrou a coordenação da resposta no Palácio do Planalto, envolvendo os ministérios da Fazenda, Planejamento, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Entre as medidas em avaliação está a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar restrições equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas.
Outra possibilidade é contestar a decisão norte-americana na Organização Mundial do Comércio. Paralelamente, o governo pretende adotar ações para reduzir os impactos sobre os setores exportadores, utilizando o Plano Brasil Soberano e acelerando a abertura de novos mercados por meio de acordos comerciais com parceiros internacionais.
Levantamento do Global Trade Alert (GTA), centro de estudos sediado na Suíça, mostra que o Brasil foi o país que registrou o maior aumento nas tarifas efetivamente cobradas pelos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
Segundo os dados, a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros passou de 1,19%, no fim do governo Joe Biden, para 11,66% atualmente. Com a entrada em vigor das novas medidas, prevista para o fim de julho, esse percentual chegará a 14,42%.
O avanço supera o registrado para outros grandes parceiros comerciais dos Estados Unidos, como Coreia do Sul, Tailândia, Japão e China.
A expectativa do governo brasileiro é manter os canais diplomáticos abertos enquanto avalia os impactos das novas tarifas e define os próximos passos da estratégia comercial.