Internacional Tarifaço
EUA ameaçam reagir caso o Brasil adote medidas contra o tarifaço
Governo americano afirma que responderá a eventuais medidas brasileiras, enquanto Planalto prepara reação diplomática e comercial
16/07/2026 15h39
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Os Estados Unidos avisaram ao governo brasileiro que poderão ampliar as medidas comerciais caso o Brasil responda ao novo tarifaço anunciado por Washington. Segundo autoridades americanas ouvidas em negociações entre os dois países, uma eventual retaliação poderá provocar uma escalada semelhante à registrada anteriormente com Canadá e China.

De acordo com os interlocutores, apenas esses dois países reagiram às sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e, em ambos os casos, a resposta americana foi ampliar ainda mais as tarifas, intensificando a disputa comercial.

Governo brasileiro prepara resposta

Apesar do alerta, representantes americanos afirmaram que ainda existe espaço para negociações técnicas. O cenário, no entanto, teria sido dificultado pelo aumento das tensões políticas entre os dois governos.

Na quinta-feira (16), a administração de Donald Trump confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas desleais.

Em resposta, o Palácio do Planalto informou que iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e também pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão dos Estados Unidos como unilateral e afirmou que a investigação que embasou a medida não possui legitimidade.

Três frentes estão em análise

O governo federal concentrou a coordenação da resposta no Palácio do Planalto, envolvendo os ministérios da Fazenda, Planejamento, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Entre as medidas em avaliação está a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar restrições equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas.

Outra possibilidade é contestar a decisão norte-americana na Organização Mundial do Comércio. Paralelamente, o governo pretende adotar ações para reduzir os impactos sobre os setores exportadores, utilizando o Plano Brasil Soberano e acelerando a abertura de novos mercados por meio de acordos comerciais com parceiros internacionais.

Brasil lidera aumento de tarifas

Levantamento do Global Trade Alert (GTA), centro de estudos sediado na Suíça, mostra que o Brasil foi o país que registrou o maior aumento nas tarifas efetivamente cobradas pelos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.

Segundo os dados, a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros passou de 1,19%, no fim do governo Joe Biden, para 11,66% atualmente. Com a entrada em vigor das novas medidas, prevista para o fim de julho, esse percentual chegará a 14,42%.

O avanço supera o registrado para outros grandes parceiros comerciais dos Estados Unidos, como Coreia do Sul, Tailândia, Japão e China.

A expectativa do governo brasileiro é manter os canais diplomáticos abertos enquanto avalia os impactos das novas tarifas e define os próximos passos da estratégia comercial.