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Lula adota cautela sobre reação ao novo tarifaço dos EUA
Governo avalia uso da Lei da Reciprocidade, mas quer evitar impactos na economia e no consumidor brasileiro
17/07/2026 14h45
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou o governo a agir com cautela na resposta ao novo pacote de tarifas de 25% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A prioridade, segundo auxiliares do Palácio do Planalto, é avaliar os impactos econômicos antes de decidir se o Brasil adotará medidas de reciprocidade.

A nova tarifa anunciada pelo governo de Donald Trump entra em vigor no próximo dia 22 de julho e deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Lei da Reciprocidade segue em análise

Embora o governo tenha iniciado os procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade, a avaliação interna é de que qualquer resposta deve ser proporcional e evitar prejuízos à economia brasileira.

Em entrevista nesta quinta-feira (16), o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o mecanismo será utilizado "no momento adequado", após estudos técnicos conduzidos pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex).

Entre os produtos brasileiros atingidos pela nova tarifa estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e diversos produtos químicos. Outros cerca de dois mil itens ficaram de fora da medida.

Por isso, a tendência é priorizar medidas de apoio aos setores exportadores em vez de impor novas barreiras comerciais aos produtos norte-americanos.

Brasil Soberano deve atender empresas afetadas

O governo também estuda ampliar o suporte às empresas atingidas pelo tarifaço por meio do programa Brasil Soberano. No entanto, integrantes da equipe econômica afirmam que novas linhas de crédito só serão anunciadas após diálogo com os setores afetados.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que a segunda etapa do programa conta com orçamento de R$ 21 bilhões. Segundo o banco, já há R$ 18,2 bilhões em projetos protocolados, e os recursos previstos para essa fase já foram liberados pelo Tesouro Nacional.

EUA mantêm pressão comercial

O novo pacote de tarifas foi adotado após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de manter práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e políticas ambientais.

O governo brasileiro rejeita as acusações e afirma que a decisão possui motivação política. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como "inaceitáveis e ofensivas" declarações de autoridades americanas que acusaram o Brasil de negociar de má-fé.

Além da tarifa de 25%, o governo brasileiro acompanha uma segunda investigação conduzida pelos Estados Unidos, que poderá resultar na aplicação de uma nova tarifa de 12% sobre produtos brasileiros.