Quem acompanha as notícias em Goiás nesta semana pode estranhar uma informação curiosa: por três dias, Goiânia deixa de ser, simbolicamente, a capital do estado. Entre os dias 20 e 22 de julho, a Cidade de Goiás, antiga Vila Boa, recebe a transferência simbólica dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
A tradição acontece todos os anos e tem como objetivo preservar a memória da primeira capital goiana, reforçando sua importância na formação política, histórica e cultural de Goiás.
A mudança foi instituída em 1983, por meio da Lei Estadual nº 9.314, que estabeleceu a Cidade de Goiás como capital simbólica durante as comemorações do aniversário do município.
Mais do que um ato protocolar, a iniciativa representa um reconhecimento ao papel histórico da antiga Vila Boa, que foi fundada em 1727 por Bartolomeu Bueno da Silva Filho, o Anhanguera, e permaneceu como capital do estado até 1937, quando Goiânia assumiu oficialmente essa função.
Desde então, todos os anos, autoridades dos três Poderes se reúnem na cidade para uma programação institucional que relembra as origens de Goiás.
Durante os três dias de solenidades, o governador, representantes da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Justiça e de outros órgãos públicos realizam despachos, reuniões e cerimônias oficiais na Cidade de Goiás.
A programação começou na segunda-feira (20) com a instalação simbólica dos Três Poderes em frente ao Palácio Conde dos Arcos, antiga sede do governo estadual.
Nesta terça-feira (21), as atividades continuam com visitas institucionais ao Poder Judiciário, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), às obras da nova Vara do Trabalho e à Grande Loja Maçônica do Estado de Goiás.
À noite, acontece um dos momentos mais tradicionais da programação: a entrega da Comenda da Ordem do Mérito Anhanguera, considerada a mais alta honraria concedida pelo Governo de Goiás a pessoas e instituições que prestaram relevantes serviços ao estado.
As solenidades seguem até esta quarta-feira (22).
Conhecida por suas ruas de pedra, casarões coloniais e igrejas centenárias, a Cidade de Goiás é um dos principais destinos históricos do estado. Em 2001, o centro histórico foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, graças ao conjunto arquitetônico preservado e à relevância cultural do município.
Além da arquitetura, a cidade mantém vivas tradições centenárias, como a Procissão do Fogaréu, realizada durante a Semana Santa, considerada uma das manifestações religiosas mais importantes do país.
A transferência simbólica da capital é vista como uma forma de aproximar o governo da história do estado e valorizar o município que deu origem à administração pública goiana.
Mesmo sem alterar o funcionamento oficial de Goiânia como sede permanente do governo, a cerimônia reafirma o papel histórico da antiga Vila Boa e fortalece a preservação do patrimônio cultural de Goiás.
Ao longo de mais de quatro décadas, a tradição se consolidou como um dos principais eventos cívicos do calendário estadual, reunindo autoridades, moradores e visitantes em um momento de celebração da identidade e da memória goiana.