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Funcionários acusam Meta de usar IA em demissões
Ação judicial nos Estados Unidos questiona uso de inteligência artificial na seleção de funcionários demitidos; empresa nega irregularidades
22/07/2026 19h31
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Um grupo de ex-funcionários da Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, acusa a empresa de utilizar ferramentas de inteligência artificial para selecionar trabalhadores que seriam demitidos. A ação foi apresentada à Justiça da Califórnia, nos Estados Unidos, e levanta dúvidas sobre o uso de sistemas automatizados em decisões trabalhistas.

Os autores do processo alegam que a tecnologia teria prejudicado funcionários que se afastaram do trabalho por motivos de saúde ou licença familiar. A Meta nega as acusações.

Segundo a ação, a empresa utilizava diferentes sistemas baseados em inteligência artificial para acompanhar o desempenho dos funcionários.

Entre as ferramentas citadas estão um assistente interno de IA, um sistema que reunia informações e documentos produzidos pelos empregados e outro que atribuía notas de produtividade com base em indicadores como digitação, e-mails, navegação e atividades realizadas durante o expediente.

Os trabalhadores afirmam que essas informações teriam sido usadas para definir quais cargos seriam eliminados durante uma rodada de quase 8 mil demissões anunciada pela empresa.

Meta nega uso de inteligência artificial

Em documentos apresentados à Justiça, a Meta afirmou que todas as decisões sobre as demissões foram tomadas por gestores e negou que sistemas automatizados tenham sido utilizados para selecionar funcionários ou realizar avaliações de desempenho.

A empresa também informou que não fará novos comentários além das manifestações já apresentadas no processo.

Justiça aponta dificuldade para obter provas

O juiz responsável pelo caso entendeu que, neste momento, os autores da ação ainda não apresentaram provas suficientes para demonstrar que a inteligência artificial foi usada de forma discriminatória.

Segundo a decisão, a maior dificuldade é que os trabalhadores não tiveram acesso aos processos internos da empresa nem às informações sobre como as decisões foram tomadas.

Os advogados dos ex-funcionários afirmam que praticamente todas as evidências estão sob controle da Meta e pediram que atuais e antigos empregados colaborem com informações sobre o funcionamento dos sistemas internos.

Caso pode abrir precedente

Especialistas apontam que o processo evidencia um novo desafio nas relações de trabalho: comprovar o uso da inteligência artificial em decisões envolvendo contratação, avaliação de desempenho ou demissões.

Outro obstáculo é que muitos trabalhadores nos Estados Unidos assinam acordos de arbitragem, que impedem ações coletivas na Justiça e mantêm esses processos sob sigilo, dificultando a divulgação de provas e a criação de precedentes.

Uma audiência sobre o caso está marcada para o dia 24 de agosto, quando a Justiça deverá analisar novos elementos apresentados pelas partes.