O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (23) que a implementação do acordo nuclear firmado com a Arábia Saudita dependerá da adesão do país aos Acordos de Abraão, iniciativa diplomática que busca ampliar a normalização das relações entre Israel e países árabes.
A declaração foi feita um dia após Washington e Riad assinarem um tratado de cooperação para o desenvolvimento de um programa nuclear voltado a fins civis.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o acordo será levado adiante apenas se a Arábia Saudita aderir aos Acordos de Abraão.
O presidente também reforçou que o tratado não permitirá o enriquecimento de material nuclear pelo governo saudita, buscando afastar preocupações sobre uma possível corrida armamentista na região.
O tratado foi assinado na quarta-feira (22) pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e por autoridades sauditas.
O documento prevê uma parceria de longo prazo para o desenvolvimento da energia nuclear civil no país árabe, com participação de empresas americanas no fornecimento de tecnologia e infraestrutura.
Segundo o governo dos Estados Unidos, o acordo estabelece regras de segurança e de não proliferação nuclear, embora ainda dependa de aprovações e supervisão internacional.
Criados em 2020, durante o primeiro mandato de Donald Trump, os Acordos de Abraão promoveram a normalização das relações diplomáticas entre Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão.
Além do reconhecimento diplomático, os países ampliaram parcerias nas áreas de comércio, tecnologia, defesa, segurança e transporte aéreo.
A Arábia Saudita é considerada uma das principais prioridades dos Estados Unidos para ampliar o acordo, mas resiste à adesão por causa das implicações políticas envolvendo a relação com Israel e a causa palestina.
O acordo nuclear também desperta preocupação entre parlamentares americanos e autoridades israelenses, que acompanham os desdobramentos da parceria.
O governo dos Estados Unidos argumenta que o tratado fortalece sua influência estratégica no Oriente Médio e evita que a Arábia Saudita busque cooperação nuclear com países como China e Rússia.