Geral Falsas promessas
Mais de 50 trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão em Goiás
Grupo foi encontrado em Cezarina sem banheiro, com alimentação precária e após falsas promessas de altos salários, segundo o Ministério do Trabalho
28/07/2026 13h20 Atualizada há 1 mês
Por: Redação
Reprodução

Cinquenta e cinco trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão no município de Cezarina, no sul de Goiás. A operação foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) nos dias 23 e 24 de julho.

Segundo o MTE, os trabalhadores vieram da Bahia e de Minas Gerais para atuar na extração de palha de milho utilizada na fabricação de cigarros. Eles teriam sido atraídos com promessas de remuneração entre R$ 6 mil e R$ 10 mil por mês.

Trabalhadores enfrentavam condições precárias

De acordo com os auditores fiscais, os trabalhadores não tinham banheiro disponível nos locais de trabalho e faziam as refeições no chão.

O grupo estava alojado na zona urbana e era transportado diariamente para fazendas da região. A operação foi motivada por denúncias feitas pelos próprios trabalhadores, que relataram insatisfação com as condições oferecidas e a falta de retorno do empregador.

Embora não houvesse restrição de liberdade ou violência física, o MTE concluiu que as condições encontradas caracterizam trabalho análogo à escravidão.

Recrutamento ocorreu por falsas promessas

O Ministério do Trabalho informou que os trabalhadores foram recrutados por intermediários, conhecidos como "gatos", por meio de grupos em aplicativos de mensagens.

Segundo o órgão, as promessas de altos salários e boas condições de trabalho não se confirmaram, o que contribuiu para a caracterização da exploração.

Empregador contesta acusações

Ao ser procurado, o empregador afirmou que houve problemas na produção da palha de milho e que uma empresa inicialmente responsável pelas contratações desistiu da atividade.

Ele também alegou que parte dos trabalhadores optou por permanecer sem trabalhar enquanto aguardava uma solução e negou ter prometido salários de até R$ 10 mil. Segundo o empresário, apenas dois encarregados receberiam remuneração próxima de R$ 6 mil, enquanto os demais seriam pagos conforme a produção.

Trabalhadores terão seguro-desemprego

Após o resgate, os trabalhadores foram levados para Goiânia e embarcados de volta às cidades de origem.

Eles terão direito ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, benefício pago em seis parcelas.

O Ministério Público do Trabalho informou que irá propor uma ação civil pública para cobrar o pagamento de verbas trabalhistas e indenizações por danos morais individuais e coletivos. O empregador também poderá ser incluído na chamada "lista suja" do trabalho escravo, caso as irregularidades sejam confirmadas ao final do processo administrativo.