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Moraes dá 48 horas para defesa de Bolsonaro explicar vídeo com IA
Ministro do STF quer saber se ex-presidente autorizou uso de imagem e voz geradas por inteligência artificial durante evento político
29/07/2026 15h54
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro informe se ele autorizou o uso de sua imagem e voz em um vídeo produzido com inteligência artificial, exibido durante a convenção nacional do PL, realizada no último sábado (25).

Segundo Moraes, caso a utilização tenha sido autorizada, o episódio poderá configurar descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.

STF avalia possível violação

Na decisão, Moraes afirma que uma eventual autorização para a divulgação do vídeo, com conteúdo de caráter político-eleitoral, pode representar uma nova violação das restrições impostas a Bolsonaro durante o cumprimento da prisão domiciliar humanitária.

O ministro também advertiu que, caso seja constatado o descumprimento das medidas, a prisão domiciliar poderá ser revertida para o regime fechado.

Moraes destacou que, se Bolsonaro não autorizou a gravação, o uso de sua imagem e voz poderá caracterizar uma deepfake, prática proibida pela legislação eleitoral.

As normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vedam a utilização de conteúdos gerados por inteligência artificial para simular a imagem ou a voz de pessoas vivas em propaganda eleitoral.

PT acionou o TSE

Após a divulgação do vídeo, o Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou uma ação no TSE contra o PL e o senador Flávio Bolsonaro, alegando propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março e está proibido de participar ou divulgar manifestações político-eleitorais, inclusive por intermédio de terceiros, conforme determinações do Supremo Tribunal Federal.