A equipe jurídica responsável pela defesa do empresário Daniel Vorcaro, antigo controlador do extinto Banco Master, decidiu abandonar as tratativas para a formalização de um acordo de delação premiada.
A nova diretriz de trabalho do ex-banqueiro concentrará esforços no questionamento da validade jurídica e na busca pela anulação das provas colhidas pelos investigadores no âmbito das operações policiais.
A virada de postura ocorre na esteira da recusa consecutiva de duas ofertas de colaboração voluntária apresentadas à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). A investida mais recente, submetida às autoridades no início de junho, foi descartada pelos órgãos de controle sob a justificativa de que os depoimentos e materiais oferecidos não continham fatos inéditos ou relevantes para o prosseguimento das apurações.
Vorcaro encontra-se sob custódia preventivamente desde o início de março, quando foi alvo dos mandados de prisão expedidos pela terceira fase da Operação Compliance Zero. O inquérito policial debruça-se sobre um suposto esquema de inconsistências e fraudes financeiras na gestão da instituição bancária, além de ramificações que envolvem crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de capitais.
Bastidores das Negociações
As tratativas preliminares com a Polícia Federal arrastavam-se desde março deste ano, quando o investigado firmou termos de confidencialidade e prestou depoimentos no formato de pré-delação. Diante da estagnação dos termos, a defesa optou por interromper os diálogos e focar na tese de nulidade do acervo probatório.