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PF abre inquérito para investigar Lulinha; entenda o que está em apuração
Investigação autorizada pelo STF apura suspeita de tráfico de influência e corrupção em negociações ligadas ao Ministério da Saúde; defesa nega irregularidades
31/07/2026 15h23
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao supostamente favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em negociações com o Ministério da Saúde.

A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Camilo Antunes é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões investigado na Operação Sem Desconto.

Apesar da ligação com o investigado, a PF esclarece que o novo inquérito não trata das fraudes no INSS, mas de fatos distintos identificados durante o andamento das investigações.

Segundo a Polícia Federal, a apuração busca esclarecer se Lulinha utilizou sua influência para facilitar reuniões entre Antônio Carlos Camilo Antunes e integrantes do Ministério da Saúde com o objetivo de beneficiar negócios ligados ao mercado de cannabis medicinal.

De acordo com a investigação, o lobista tentou, entre 2024 e 2025, firmar um contrato com o governo federal para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol. O contrato, porém, nunca foi assinado.

A PF também investiga a atuação da empresária Roberta Luchsinger, contratada por Camilo Antunes para buscar oportunidades comerciais para a empresa World Cannabis. A defesa da empresária afirma que não houve qualquer irregularidade e nega repasses financeiros a Lulinha.

Relação entre Lulinha e o "Careca do INSS"

A defesa de Lulinha confirmou que ele viajou com Antônio Carlos Camilo Antunes para Portugal, em novembro de 2024, para visitar uma fábrica de medicamentos à base de cannabis.

Segundo os advogados:

O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que a Polícia Federal não encontrou indícios de participação de Lulinha nas fraudes investigadas no INSS e, por isso, abriu um novo procedimento para apurar fatos diferentes.

A defesa sustenta que:

Lula diz que filho responderá à Justiça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o caso durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda e afirmou que não utilizará o cargo para proteger o filho.

Segundo o presidente, caso seja convocado pela Justiça, Lulinha retornará ao Brasil para prestar esclarecimentos.

"Ele vai ter que provar que é inocente. É o meu próprio filho. Vai ter que provar. E, se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra", declarou Lula.

Atuação do STF

O ministro André Mendonça determinou que todos os atos da investigação sejam encaminhados diretamente ao processo sob sua relatoria no STF. Também estabeleceu que qualquer substituição de policiais responsáveis pelo inquérito deverá ser comunicada previamente ao gabinete.

Na última semana, a Polícia Federal acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar as medidas de controle determinadas pelo ministro durante a condução da investigação.