
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não receberá qualquer tratamento privilegiado caso seja alvo de acusação da Polícia Federal nas investigações relacionadas ao caso do INSS.
A declaração foi dada durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., horas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a abertura de investigação para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha em negociações ligadas ao Ministério da Saúde.
Segundo Lula, a atuação das autoridades deve ocorrer de forma independente.
"Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. É o certo. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas", afirmou.
"Se for julgado, ele virá para cá. Não vai se esconder. Não vou utilizar meu cargo para protegê-lo. Ele vai ter que provar que é inocente. E, se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra", disse.
Lula afirmou confiar na inocência do filho e declarou que a experiência vivida pela família durante a Operação Lava Jato fez com que Lulinha compreendesse as consequências de eventuais irregularidades.
"Ele sabe o que eu passei. Viveu dentro da minha casa tudo o que aconteceu. Ele sabe que não tem o direito de errar. Ele jura para mim todos os dias que não está envolvido nisso. Eu acredito nele."
Durante a entrevista, Lula afirmou que Lulinha tem sido utilizado como forma de atingir politicamente sua família desde o primeiro mandato presidencial.
Segundo o presidente, diversas acusações feitas ao longo dos últimos anos nunca foram comprovadas.
"Desde 2006 querem me atacar por meio dele. Já disseram que era dono disso, dono daquilo, que era dono dos gados da Friboi, da JBS, que tinha carro de ouro. Nada disso foi comprovado."
A Polícia Federal investiga se Lulinha teria atuado para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em negociações envolvendo a comercialização de medicamentos à base de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde.
Segundo a PF, a investigação é distinta das fraudes envolvendo descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS, embora tenha surgido durante as apurações da Operação Sem Desconto.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e afirma que ele nunca praticou tráfico de influência ou recebeu vantagens indevidas.