
Relatórios da Polícia Federal (PF), que tiveram o sigilo levantado nesta quinta-feira (30) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve contato frequente com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e investigado na Operação Compliance Zero.
Segundo a investigação, foram identificadas 74 ligações telefônicas concluídas, que somam mais de cinco horas e meia de conversas entre os dois. Os dados foram obtidos a partir da análise dos celulares apreendidos durante a operação.
Além dos registros telefônicos, a PF encontrou mensagens que indicam a realização de encontros no gabinete do senador, viagens em aeronaves ligadas a Augusto Lima e o envio de documentos relacionados à PEC 65, proposta que, segundo os investigadores, interessava ao Banco Master.
Os relatórios também mencionam conversas entre familiares. Em uma das mensagens, a esposa de Jaques Wagner escreve: "A gente ama vocês", recebendo como resposta de Augusto Lima: "Amamos vocês!! Bj no coração".
A investigação ainda aponta o envio de presentes de Natal ao senador, incluindo garrafas de vinho avaliadas entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil.
Entre os benefícios citados pela investigação estão voos em jatinhos particulares, ingressos para shows internacionais e tratativas envolvendo a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.
As informações integram a Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master.
Em nota, o senador Jaques Wagner afirmou que tem "certeza de que vai provar sua inocência" e negou qualquer irregularidade relacionada às investigações sobre o Banco Master.