
Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, deixou a equipe da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a repercussão de informações sobre pagamentos de despesas pessoais feitos pela empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em outro inquérito.
Até a noite de terça-feira (4), integrantes da campanha avaliavam que Marcola permaneceria na equipe, mas ele optou por pedir desligamento. Ainda não houve comunicado oficial sobre a saída.
Marcola havia deixado recentemente o cargo de chefe de gabinete da Presidência da República para atuar na campanha de Lula. Segundo aliados, a mudança já buscava reduzir o desgaste provocado pelas transações financeiras envolvendo a empresária.
Em nota, Marco Aurélio Santana Ribeiro afirmou que recebeu de Roberta Luchsinger um empréstimo de R$ 249 mil e sustentou que a operação teve caráter exclusivamente privado.
Segundo ele, não houve qualquer outra relação financeira além do empréstimo. Marcola também informou que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça e que contratou advogado para apresentar toda a documentação necessária ao esclarecimento dos fatos.
De acordo com relatos de aliados do presidente, Marcola informou que os pagamentos de despesas ocorreram diretamente pela empresária, sem depósitos em sua conta bancária. Ainda segundo essas pessoas, após ser alertado por um advogado sobre os possíveis impactos da situação, ele teria iniciado a devolução dos valores.
Roberta Luchsinger é sócia da RL Consultoria e Intermediações e foi alvo de busca e apreensão durante as investigações da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos ilegais em benefícios do INSS entre 2019 e 2024.
Segundo a Polícia Federal, uma empresa ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", realizou pagamentos de aproximadamente R$ 1,5 milhão para uma empresa da empresária.
Em depoimento prestado à Polícia Federal em maio, Roberta afirmou que apresentou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ao lobista antes da deflagração da operação. Lulinha é alvo de inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência, mas sua defesa nega qualquer irregularidade.
Marcola integrava a equipe de Lula há quase sete anos. Durante o período em que o atual presidente esteve preso, entre 2018 e 2019, foi um dos principais responsáveis por transmitir mensagens do petista a aliados políticos. Já no governo, assumiu a chefia de gabinete da Presidência, coordenando a agenda oficial e atuando como um dos principais interlocutores entre Lula e autoridades, já que o presidente não utiliza telefone celular.