O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade de um processo contra a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) por suposta quebra de decoro parlamentar.
O parecer é do deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) e tem como base uma representação apresentada pelo Partido Missão após uma publicação feita por Erika na rede social X, em março de 2026.
Com a abertura do processo, a deputada terá dez dias úteis para apresentar defesa por escrito. A partir daí, o Conselho de Ética dará continuidade às apurações antes de decidir se houve quebra de decoro e qual eventual punição poderá ser aplicada.
A postagem foi feita após Erika Hilton assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
Na publicação, a parlamentar escreveu: “E eu não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”.
Segundo o parecer, o termo “imbeCIS”, com destaque para as letras “CIS”, teria caráter ofensivo contra mulheres cisgênero.
O relatório também questiona outro trecho da publicação, no qual Erika escreveu: “Podem espernear. Podem latir”.
Para o relator, a expressão teria associado mulheres que criticavam a parlamentar a animais, o que foi classificado no parecer como uma forma de desumanização.
O parecer aponta ainda que a publicação teve ampla repercussão e provocou reações de mulheres que afirmaram ter se sentido ofendidas.
A aprovação da admissibilidade não representa uma condenação da deputada. Nesta etapa, o Conselho decidiu que há elementos para que a representação prossiga e seja analisada.
Após a apresentação da defesa e a fase de apuração, o colegiado deverá decidir se houve quebra de decoro parlamentar e, em caso positivo, qual medida disciplinar será proposta.