O Irã elevou o tom contra os Estados Unidos e afirmou que poderá adotar uma postura ofensiva no Estreito de Ormuz caso as negociações diplomáticas entre os dois países fracassem.
Segundo um alto funcionário iraniano ouvido pela agência Reuters, nesta segunda-feira (17), Teerã decidiu mudar sua estratégia de defensiva para ofensiva.
A autoridade afirmou que o país poderá intensificar as tensões no Estreito de Ormuz e em outras áreas da região. O governo iraniano também pretende estabelecer um prazo para que as forças americanas interrompam o bloqueio militar aos portos do país.
A nova ameaça ocorre em meio ao aumento da pressão americana sobre Teerã.
Na sexta-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende declarar o Estreito de Ormuz como território americano. O Irã reagiu dizendo que a passagem está sob sua autoridade e que não seria intimidado pelas ameaças.
O controle da rota está entre os principais pontos das negociações entre os dois países. O Irã exige o reconhecimento de sua soberania sobre Ormuz, enquanto os Estados Unidos defendem a livre circulação de embarcações pela região.
Trump também prometeu aumentar a pressão econômica contra o governo iraniano. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Washington prepara novas medidas contra o país.
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas para o mercado mundial de petróleo.
Cerca de 20% do petróleo consumido no planeta passa pela região, utilizada por grandes produtores do Oriente Médio para levar suas cargas aos mercados internacionais.
Em termos territoriais, as águas do estreito estão sob soberania de Irã e Omã, mas a navegação internacional pela passagem é protegida pelo direito internacional.
Com a ameaça iraniana de partir para uma estratégia ofensiva, Ormuz volta ao centro da escalada entre Teerã e Washington, enquanto as negociações diplomáticas continuam.