O Governo de Goiás criou um gabinete especial para coordenar ações de enfrentamento aos incêndios florestais, à estiagem e aos possíveis impactos do El Niño no ciclo 2026/2027.
O Gabinete de Ações Integradas, o GAI, foi instituído por decreto estadual e será coordenado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, por meio do Comando de Operações de Defesa Civil.
A medida ocorre em meio ao período crítico de estiagem no estado e diante das projeções de temperaturas acima da média e condições favoráveis à propagação de incêndios nos próximos meses.
Uma das principais medidas será a criação de uma Sala de Situação com funcionamento contínuo. O espaço vai reunir diariamente informações sobre focos de calor, alertas meteorológicos, situação dos incêndios e condições hidrológicas.
Os dados serão fornecidos por órgãos como o Cimehgo, a Semad e outras instituições de monitoramento e deverão orientar a mobilização das equipes e as decisões do governo.
O gabinete também poderá emitir alertas à população, promover campanhas de prevenção aos incêndios e de uso racional da água e elaborar avaliações para subsidiar uma eventual decretação de situação de emergência ou calamidade pública.
A criação do gabinete acontece enquanto diferentes regiões de Goiás enfrentam incêndios florestais. A combinação de vegetação seca, altas temperaturas, baixa umidade e ventos aumenta a possibilidade de o fogo se espalhar rapidamente.
Grandes incêndios já foram registrados neste mês, principalmente no Nordeste goiano. Na região da APA Serra Geral de Goiás e do Parque Estadual de Terra Ronca, cerca de 14,1 mil hectares chegaram a ser atingidos pelo fogo.
Além do combate às chamas, equipes ambientais também trabalham para identificar a origem dos incêndios e possíveis responsáveis por queimadas irregulares.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, fenômeno capaz de alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões.
No Centro-Oeste, seus efeitos sobre as chuvas podem variar, mas há preocupação principalmente com temperaturas mais elevadas e redução da umidade relativa do ar, condições que podem aumentar o risco de incêndios em Goiás.
Órgãos federais de monitoramento apontam possibilidade de fortalecimento do fenômeno ao longo do segundo semestre de 2026.
O gabinete também deverá acompanhar possíveis consequências da estiagem para rios, reservatórios, abastecimento de água e produção agropecuária.
A saúde da população também entra no radar. O tempo quente e seco, somado à fumaça das queimadas, pode agravar problemas respiratórios e aumentar os impactos provocados pela baixa umidade.
O GAI não terá orçamento, quadro de funcionários ou estrutura administrativa próprios. Os órgãos participantes utilizarão equipes e recursos que já possuem.
A estrutura deverá permanecer ativa durante o período considerado crítico e poderá funcionar por mais 30 dias após o encerramento da emergência para avaliar danos e consolidar os dados das operações.