Internacional Tragédia
Resgates são retomados após avalanche entre Nepal e Tibete; desaparecidos passam de 2,5 mil
Tragédia já deixou quase 580 mortos e cerca de 1,5 mil feridos no Nepal; buscas chegaram a ser suspensas diante do risco de uma nova inundação
28/08/2026 16h04
Por: Redação
Foto: Reprodução

As operações de busca e resgate foram retomadas nesta sexta-feira (28) na região entre o Nepal e o Tibete, na China, atingida por uma avalanche e uma violenta enxurrada de lama, gelo e detritos na última quarta-feira (26).

As equipes chegaram a interromper temporariamente os trabalhos após o transbordamento de um lago formado por uma barreira natural, aumentando o temor de uma nova inundação repentina. Com a melhora das condições e a redução do risco imediato, os trabalhos puderam ser retomados.

O balanço da tragédia continua aumentando. No Nepal, informações preliminares apontam quase 580 mortos, cerca de 1,5 mil feridos e aproximadamente 2 mil desaparecidos. Considerando também a região do Tibete, o número de pessoas ainda não localizadas passa de 2,5 mil, segundo levantamento divulgado pela Reuters.

Risco de nova inundação interrompeu buscas

A preocupação das autoridades agora não se limita aos danos provocados pelo desastre inicial. A formação de lagos represados naturalmente por gelo, rochas e outros detritos pode criar novos riscos para comunidades e equipes de resgate que trabalham nos vales.

Nesta sexta-feira, o transbordamento de um desses lagos obrigou a suspensão temporária das operações. A água acumulada atrás dessas barreiras pode ser liberada rapidamente caso a estrutura se rompa, provocando novas enxurradas em áreas que já foram severamente atingidas.

As autoridades continuam acompanhando as condições da região diante da possibilidade de novos episódios.

Lama, gelo e pedras destruíram comunidades

A avalanche atingiu a região do rio Bhote Koshi, próximo à passagem de Gyirong, importante ligação terrestre entre o Nepal e o Tibete.

A força da água carregou lama, pedras, blocos de gelo e outros detritos pelos vales do Himalaia. Imagens registradas durante o desastre mostram a correnteza avançando rapidamente e atingindo construções.

Estradas e pontes também foram destruídas, dificultando a chegada das equipes de emergência às comunidades isoladas.

A região recebe ainda turistas e peregrinos que seguem em direção ao Monte Kailash e ao lago Manasarovar, no Tibete. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros. Autoridades nepalesas registraram cidadãos de países como Índia, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e Canadá entre aqueles ainda não localizados.

Colapso de geleira é investigado

As causas exatas do desastre continuam sendo investigadas. Uma das principais hipóteses é de que o colapso de uma geleira tenha desencadeado a sequência de eventos que resultou na enxurrada.

O desastre também ocorreu durante a temporada de monções, período em que o Nepal registra volumes elevados de chuva e maior ocorrência de enchentes e deslizamentos.

O aquecimento acelerado do Himalaia preocupa pesquisadores porque favorece o recuo de geleiras e a formação de lagos glaciais represados por barreiras naturais. Ainda não há, porém, confirmação de que as mudanças climáticas tenham sido a causa direta do desastre desta semana.

Nepal mantém resgates com equipes nacionais

Países e organizações internacionais manifestaram disposição para ajudar as regiões atingidas. Índia e União Europeia estão entre os que anunciaram apoio após a tragédia.

O governo do Nepal, no entanto, informou nesta sexta-feira que não necessita, neste momento, de equipes estrangeiras para as operações de busca e resgate. Segundo o Ministério das Relações Exteriores nepalês, as forças de segurança nacionais permanecem responsáveis pelos trabalhos.

As buscas continuam nas áreas atingidas e os números de mortos, feridos e desaparecidos ainda são preliminares, podendo mudar conforme as equipes consigam acessar regiões isoladas.