O contrato de Memphis Depay com o Corinthians possui uma cláusula que impede jogadores de se envolverem em questões políticas internas do clube. A existência da regra foi confirmada pelo presidente Osmar Stabile, que afirmou que o dispositivo também está presente nos contratos de outros atletas.
Segundo o dirigente, a cláusula começou a ser incluída nos contratos na temporada passada, em meio ao período de forte turbulência política vivido pelo Corinthians.
“Existe a cláusula, está claro, e vale para os demais jogadores. Existe um envolvimento na parte política, isso atrapalha. Não dá para envolver a parte política”, afirmou Stabile à ESPN.
O presidente explicou que a intenção é evitar que os jogadores sejam envolvidos nas disputas políticas do clube.
“Todo atleta é contratado para jogar futebol. Nosso coração é o futebol profissional. Colocamos essa cláusula em virtude do momento que estamos passando”, completou.
A discussão ganhou força após Memphis lançar, no dia 21 de agosto, o clipe da música “Don't Panic”, que apresenta diversas referências ao Corinthians.
Em um trecho da música, o atacante fala sobre um “vice-presidente que agora é meu inimigo”, em uma possível referência ao dirigente Armando Mendonça.
No final do vídeo, Memphis aparece diante do Parque São Jorge enquanto o local é mostrado em chamas. A imagem provocou repercussão entre torcedores e dirigentes.
O jogador esclareceu posteriormente que o lançamento do clipe não tinha relação com os protestos realizados em frente ao Parque São Jorge. Memphis também afirmou ser contrário a qualquer tipo de violência e defendeu que as manifestações fossem pacíficas.
O presidente Osmar Stabile afirmou que conversou com Memphis após o lançamento do material. Segundo ele, o jogador retirou posteriormente uma parte do vídeo em que o escudo do Corinthians aparecia em meio às imagens de fogo.
Memphis acabou sendo multado pelo clube em parte de seu salário.
Para Stabile, a situação foi resolvida internamente e o episódio está encerrado.
O caso, porém, levanta uma discussão que vai além do Corinthians: até onde um clube pode limitar a manifestação pública de seus jogadores, especialmente quando o assunto envolve a própria instituição?
E você, o que pensa sobre esse tipo de cláusula?