A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e seu vice, Alfredo Gaspar (PL). Protocolada no sábado (29), a ação pede a cassação dos registros e a inelegibilidade da chapa por suposto abuso de poder econômico durante a Festa do Peão de Barretos, em São Paulo.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) está sob relatoria do corregedor-geral eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira. A acusação se refere à participação de Flávio no evento em 22 de agosto, quando ele esteve acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do deputado federal Nikolas Ferreira.
Segundo a coligação, a estrutura da festa, que reuniu cerca de 60 mil pessoas naquele momento, teria sido utilizada para promover eleitoralmente o candidato do PL. A petição cita a apresentação feita por Tarcísio, o discurso de Flávio e a atuação do locutor Cuiabano Lima na interação com o público.
Durante a participação, Flávio abordou temas como agronegócio, família e religião e afirmou que retornaria ao evento no próximo ano como presidente da República ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na ação, os partidos governistas sustentam que a participação teria ultrapassado uma simples presença institucional e se transformado em um ato eleitoral realizado dentro da programação da festa.
Um dos argumentos é que o evento recebe patrocínio de empresas privadas e apoio de órgãos públicos. Para a coligação, o eventual uso dessa estrutura para beneficiar uma candidatura poderia configurar vantagem eleitoral financiada por fonte não permitida pela legislação.
A ação solicita que o TSE investigue quem autorizou a participação dos candidatos, os custos envolvidos, os patrocinadores e o alcance da divulgação do episódio nas redes sociais.
Também são pedidos documentos à organização da Festa do Peão, à Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e à EPTV. Entre os materiais solicitados estão contratos, comprovantes de pagamento, informações sobre público, patrocínios e divulgação.
Ao final da investigação, a coligação pede que, caso o abuso de poder econômico seja reconhecido, os registros de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar sejam cassados e os dois declarados inelegíveis por oito anos.
A apresentação da AIJE não significa que a Justiça Eleitoral tenha reconhecido qualquer irregularidade. O processo está em fase de análise e as acusações ainda precisarão ser examinadas pelo tribunal.
A própria ação menciona um precedente envolvendo Jair Bolsonaro na Festa do Peão de Barretos em 2022. Na ocasião, o TSE não considerou a participação do então presidente como showmício. A coligação de Lula sustenta, porém, que o episódio de 2026 possui circunstâncias diferentes, especialmente pela presença de candidatos e pelo conteúdo eleitoral das manifestações.
Em manifestação enviada ao SBT News, a equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que a participação do candidato foi legítima, breve e ocorreu após convite dos organizadores. A defesa também argumentou que outros candidatos tiveram a mesma oportunidade e afirmou que Lula chegou a ser convidado, mas não compareceu.
A nota ainda comparou o episódio ao desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval e acusou o PT de tentar criar uma “cortina de fumaça”. A seguir, a manifestação da equipe de Flávio Bolsonaro é reproduzida na íntegra:
Não há qualquer irregularidade na rápida participação de Flávio Bolsonaro na Festa do Peão de Barretos, que está em sua 71 edição e durou 10 dias.
Flávio Bolsonaro esteve na festa na condição de convidado, fez uma fala brevíssima, de um minuto e 10 segundos, e logo se retirou do evento. Todos os demais pré-candidatos foram convidados. Oportunidades iguais, portanto.
Lula foi convidado pessoalmente pelo vice-prefeito de Barretos, Mussa Calil Neto, e por Jerônimo Muzetti, presidente de Os Independentes, grupo organizador da festa. Não foi porque não quis ou porque sabe que o tratamento que seu governo deu ao agronegócio lhe renderia merecidas vaias.
Barretos não foi como o vexaminoso Carnaval da Unidos de Niterói, que, por uma hora e vinte minutos glorificou Lula, difundiu seu número de urna e inclusive cantou trechos de seu jingle de campanha, tudo isso com transmissão ao vivo pela televisão aberta alcançando milhões de brasileiros.
A fala de Flávio Bolsonaro em Barretos foi neutra e sequer citou o nome de Lula, ao contrário da Acadêmicos de Niterói, que, sob o pretexto de exaltar o petista , também atacou Bolsonaro em inúmeras alegorias.
A festa do Peão, a maior da América Latina, também não foi organizada sob a condução de qualquer liderança política, ao contrário do enredo da Acadêmicos de Niterói, construído sob medida e com interferência direta do casal presidencial. Tudo isso sem falar no uso de dinheiro público pela escola.
Como se tudo isso não bastasse, Flávio Bolsonaro se limitou a repetir a presença tradicional de seu pai no evento, não sendo demais registrar que a esquerda já veiculou essa mesma infundada alegação em 2022, rejeitada por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Uma cortina de fumaça para o uso sem precedentes da máquina pública nas eleições de 2026 pelo PT, a serem denunciadas no momento próprio.