A Ucrânia notificou nesta quarta-feira (2) a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), agência especializada das Nações Unidas, de que considera o espaço aéreo da Rússia inseguro para a aviação civil. O alerta ocorre em meio à intensificação dos ataques ucranianos com drones contra alvos em território russo.
O aviso formal ocorre um dia depois de o presidente Volodymyr Zelensky recomendar que companhias aéreas, seguradoras e operadores internacionais reconsiderem a utilização de aeroportos e rotas sobre a Rússia.
Segundo Zelensky, a advertência não representa uma ameaça direta contra aeronaves civis. O presidente argumentou, porém, que a quantidade de drones operando sobre o território russo tende a aumentar e precisa ser considerada pelas empresas do setor.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, reforçou nesta quarta-feira a recomendação para que empresas de aviação civil deixem de utilizar o espaço aéreo russo.
Na comunicação internacional, Kiev justificou os ataques em território russo com base no direito de autodefesa previsto no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas. O governo ucraniano sustenta que os riscos atuais à aviação são consequência da guerra iniciada pela Rússia.
Moscou reagiu às declarações. Na terça-feira (1º), o presidente Vladimir Putin classificou o alerta feito por Zelensky às companhias aéreas como uma prática de “terrorismo de Estado”.
Putin também relacionou a escalada dos ataques às dificuldades para retomar negociações entre os dois países. As tentativas diplomáticas mediadas pelos Estados Unidos permanecem sem avanços significativos.
Enquanto isso, Rússia e Ucrânia intensificam as ofensivas. Pelo menos 12 pessoas morreram em Kiev e nos arredores durante uma nova onda de ataques russos na terça-feira. Do outro lado da fronteira, operações ucranianas com drones têm provocado interrupções frequentes no funcionamento de aeroportos russos.
Com mais de quatro anos de guerra, a expansão das operações para áreas cada vez mais distantes da linha de frente aumenta também as preocupações sobre os impactos do conflito na aviação civil internacional.