O número de mortos nas enchentes que atingiram a região do Himalaia passou de 1,2 mil nesta quarta-feira (2), uma semana depois do início da tragédia. Ao menos 1.225 mortes foram contabilizadas no Nepal e na China, enquanto mais de 4,7 mil pessoas continuam desaparecidas. Em meio às buscas, turistas estrangeiros que estavam sem contato começaram a ser localizados.
Segundo os balanços mais recentes, o Nepal registra 1.204 mortos e 4.216 desaparecidos. No lado chinês, são 21 mortes e 541 pessoas ainda não localizadas.
As autoridades nepalesas também informaram que 324 estrangeiros foram resgatados. Após as enchentes de 26 de agosto, cerca de 590 pessoas de 39 países chegaram a ser consideradas desaparecidas.
Cinco australianos que estavam na lista de desaparecidos foram encontrados em segurança durante a noite, segundo o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese. Com isso, o número de cidadãos do país ainda procurados caiu de 43 para 38.
“Em meio a toda essa tragédia, estamos recebendo algumas notícias positivas. Hoje, outras cinco pessoas da Austrália foram confirmadas como estando em segurança”, declarou Albanese.
Outros turistas também conseguiram restabelecer contato. De acordo com Sunil Sharma, porta-voz do Conselho de Turismo do Nepal, pelo menos cinco estrangeiros que estavam desaparecidos procuraram as autoridades por telefone ou e-mail nos últimos dias.
As buscas continuam para localizar moradores e visitantes que permanecem sem contato desde a passagem das enchentes.
Na China, equipes construíram uma estrada improvisada para alcançar áreas atingidas em Gyirong, próximo à fronteira com o Nepal.
Os trabalhos também retiraram lama, pedras e outros obstáculos para permitir a passagem de máquinas pesadas utilizadas nas operações de busca.
A infraestrutura da região foi severamente danificada. O complexo do posto de fronteira foi destruído e estradas ficaram bloqueadas pela água e pelos detritos carregados pelas enchentes.
A tragédia começou em 26 de agosto, quando o desprendimento de uma geleira lançou uma grande quantidade de gelo, pedras e água pelos vales do Himalaia.
O material atingiu rios que atravessam o Tibete e o Nepal, provocando uma rápida elevação do nível da água. Casas, prédios, estradas e pontes foram destruídos ou arrastados.
A dimensão dos danos e as dificuldades de acesso às regiões atingidas têm complicado o trabalho das equipes de emergência e ajudam a explicar o elevado número de pessoas ainda desaparecidas.
Centenas de sobreviventes deixaram as regiões devastadas e seguiram para Katmandu, capital do Nepal.
Cerca de 400 pessoas, a maioria da cidade de Timure, estão abrigadas no mosteiro Yellow Gumba. Muitas perderam familiares e casas e dependem de doações para alimentação e itens básicos.
Entre elas está Riya Tamang, de 21 anos, que conseguiu fugir com o filho de 10 meses pouco antes da chegada da água. Os avós dela morreram na tragédia.
Enquanto sobreviventes tentam reconstruir a rotina, equipes de emergência seguem trabalhando dos dois lados da fronteira. Com milhares de desaparecidos, o número de vítimas ainda pode aumentar à medida que as buscas avançam.