Geral Banco Master
Vorcaro relata ameaças e diz que delação envolveria diretor da PF
Ex-banqueiro afirmou ao gabinete de André Mendonça que sofreu intimidações durante a prisão e alegou que colaboração não avançou porque poderia atingir integrantes da corporação; PGR pediu arquivamento
03/09/2026 15h58
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que sofreu ameaças e intimidações depois de ser preso pela Polícia Federal (PF).

No mesmo depoimento, o ex-banqueiro alegou que uma tentativa de colaboração premiada não avançou porque as informações que pretendia apresentar envolveriam o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, além de integrantes de um “núcleo político”.

As declarações foram prestadas em uma oitiva realizada sem a participação da Polícia Federal. Vorcaro relatou supostos episódios de tortura durante o transporte e afirmou que teria informações sobre sua relação com Andrei e outros integrantes do governo federal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), porém, pediu nesta quarta-feira (2) o arquivamento das alegações. Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Vorcaro não apresentou fatos concretos ou elementos mínimos capazes de sustentar as acusações.

Vorcaro diz que ficou seis horas dentro de caixote

No depoimento, Vorcaro afirmou que permaneceu aproximadamente seis horas dentro de um caixote fechado enquanto era transportado até a aeronave que o levaria de São Paulo para Brasília.

Segundo o ex-banqueiro, ao sair do compartimento, teria ouvido uma ameaça relacionada a declarações envolvendo integrantes da corporação.

“Isso que dá, você vai querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso”, teria dito uma pessoa, de acordo com o relato de Vorcaro ao juiz auxiliar de Mendonça.

O ex-dono do Master afirmou ainda que sofreu novas intimidações durante o transporte realizado pela Polícia Federal e que chegou a ser vendado.

“Durante o transporte da Polícia Federal, de novo, eu sofri intimidações”, declarou.

As acusações são baseadas no relato de Vorcaro e, até o momento, segundo a PGR, não foram acompanhadas de elementos concretos que permitam confirmar os episódios descritos.

Ex-banqueiro cita diretor-geral da PF

Vorcaro também afirmou que uma tentativa anterior de fechar um acordo de colaboração premiada não teria avançado porque poderia atingir pessoas ligadas à própria Polícia Federal.

O ex-banqueiro mencionou especificamente Andrei Rodrigues. Segundo seu depoimento, os dois já teriam viajado juntos para eventos e mantido uma relação anterior.

Na versão apresentada por Vorcaro, essa proximidade teria influenciado a disposição de integrantes da PF para ouvi-lo sobre determinados assuntos.

Ele afirmou que não encontrou abertura para apresentar tudo o que diz saber e alegou que existem pessoas interessadas em impedir a divulgação dessas informações. Vorcaro também mencionou que uma eventual colaboração poderia alcançar integrantes de um “núcleo político”, mas não detalhou as acusações durante o depoimento.

Andrei Rodrigues não havia se manifestado sobre as declarações.

PF e PGR já recusaram delação

Vorcaro já havia tentado negociar uma colaboração premiada anteriormente, mas a proposta foi rejeitada tanto pela Polícia Federal quanto pela Procuradoria-Geral da República.

Segundo a PGR, a autoridade policial entendeu que a proposta não apresentava informações inéditas e continha omissões.

O Ministério Público também considerou frágil o conteúdo oferecido pelo ex-banqueiro e decidiu não prosseguir com a negociação.

No novo depoimento ao gabinete de Mendonça, Vorcaro sinalizou disposição para fazer outra tentativa de colaboração, desta vez incluindo informações sobre sua relação com o diretor-geral da PF e outras autoridades.

PGR diz que acusações não têm elementos mínimos

Na manifestação encaminhada ao Supremo, Paulo Gonet afirmou que as denúncias apresentadas pelo ex-banqueiro não vieram acompanhadas de fatos concretos ou elementos mínimos que justificassem o avanço da apuração.

A defesa de Vorcaro havia alegado que ele vinha sofrendo “graves intimidações”. O procurador-geral, entretanto, pediu o arquivamento desse relato.

A defesa do ex-banqueiro informou que não comentaria o conteúdo do depoimento por se tratar de material sob sigilo.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Depois de ser solto e cumprir medidas cautelares, voltou a ser preso em março deste ano. Após passar por diferentes unidades, está detido na chamada Papudinha, no Distrito Federal, desde junho.