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PGR envia ao STF delação de empresário ligado a repasses para “Dark Horse”
Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, teria intermediado pagamentos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro; acordo ainda depende de homologação
03/09/2026 16h10
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e Participações. A empresa aparece nas investigações do caso Banco Master e teria sido utilizada como intermediária em repasses destinados à produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O acordo foi enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, e ainda precisa ser homologado para produzir os efeitos previstos na colaboração. Não há prazo para que o ministro tome uma decisão.

Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro/ Foto: Reprodução

 

Segundo os investigadores, além de atuar na intermediação de pagamentos, Freixo Júnior teria entre suas atribuições a obtenção de moeda para viabilizar operações em dinheiro vivo.

A proposta foi assinada no mesmo dia da colaboração de João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag. Os dois acordos fazem parte das investigações relacionadas ao Banco Master.

Empresa recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados

A Entre Investimentos integra o grupo Entrepay, liquidado pelo Banco Central em março deste ano por problemas econômico-financeiros, irregularidades no cumprimento das normas do setor e riscos aos credores.

Relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que a Entre recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal por possíveis relações com fraudes envolvendo o Banco Master.

A maior parte dos recursos, R$ 139,2 milhões, veio da Sefer Investimentos, empresa que esteve entre os alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero e é investigada por relações com Daniel Vorcaro.

Outros R$ 20 milhões foram repassados pelo fundo Gold Style, administrado pela Reag. A gestora também aparece em investigações envolvendo Vorcaro e movimentações financeiras de empresas apontadas pela PF como integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O recebimento desses valores pela Entre, por si só, não significa que todo o dinheiro tenha sido destinado à produção cinematográfica.

PF investiga caminho do dinheiro até “Dark Horse”

Segundo as investigações, parte dos pagamentos determinados por Vorcaro teria passado pela Entre Investimentos antes de chegar à estrutura financeira ligada a “Dark Horse”.

O acordo para o financiamento do filme previa R$ 124 milhões. Desse total, cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos pelo então dono do Banco Master.

Até maio de 2025, haviam sido identificados seis repasses, sendo dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão. Um novo pagamento de US$ 1,6 milhão teria sido realizado em setembro daquele ano.

Segundo informações que integram a investigação, esse último repasse ocorreu dias depois de cobranças feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) relacionadas a parcelas que estariam atrasadas.

Os recursos destinados ao projeto eram enviados ao Havengate Development Fund, sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo administrava o dinheiro e realizava os pagamentos à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.

Entre os administradores do fundo estava Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

O que acontece com a delação agora?

A colaboração premiada é um instrumento utilizado para obtenção de provas em investigações criminais. O investigado se compromete a fornecer informações e elementos relacionados aos fatos dos quais tenha conhecimento e participação e, em contrapartida, pode receber benefícios previstos em lei.

A proposta deve apresentar os fatos que serão objeto da colaboração e os elementos que possam ajudar a comprová-los.

No caso de Freixo Júnior, o acordo firmado com a PGR ainda será analisado pelo ministro André Mendonça. A homologação verifica a regularidade, legalidade e voluntariedade da colaboração e não representa, por si só, confirmação das acusações ou informações apresentadas pelo colaborador.