Dinheiro Redução de preço
Governo amplia subsídios à gasolina e ao diesel após alta do petróleo
Gasolina terá redução de R$ 0,63 por litro em tributos, enquanto diesel receberá subvenção inicial de R$ 1 por litro
10/09/2026 10h43
Por: Redação
Foto: Reprodução

O governo federal ampliou as medidas para conter os efeitos da alta internacional do petróleo sobre os combustíveis no Brasil. As novas regras começam a produzir efeitos nesta quinta-feira (10) e incluem redução de R$ 0,63 por litro em tributos sobre a gasolina e uma subvenção inicial de R$ 1 por litro para o diesel.

As mudanças foram estabelecidas por decreto e medida provisória assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quarta-feira (9). Para o etanol hidratado, o governo decidiu zerar temporariamente as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins.

A estratégia substitui e amplia mecanismos adotados anteriormente pelo governo diante da alta das cotações internacionais do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio.

Gasolina terá redução de R$ 0,63 por litro

No caso da gasolina, o governo optou por reduzir a tributação. Entre 10 de setembro e 5 de outubro, haverá diminuição de R$ 0,63 por litro na cobrança de PIS/Pasep e Cofins sobre a importação e a comercialização do combustível e de suas correntes, com exceção da gasolina de aviação.

Com a mudança, a carga desses tributos sobre a gasolina passa a R$ 0,16 por litro.

A medida substitui a subvenção anterior de R$ 0,44 por litro para a gasolina, cuja vigência terminou na quarta-feira.

A redução tributária, no entanto, não significa necessariamente uma queda de exatamente R$ 0,63 no preço encontrado pelo consumidor nos postos. O valor final depende de outros componentes da cadeia, como preço nas refinarias, margens de distribuição e revenda e tributos estaduais.

Diesel terá subsídio de R$ 1 por litro

Para o diesel rodoviário, o governo adotou um mecanismo diferente. Produtores e importadores que aderirem ao programa poderão receber uma subvenção econômica inicialmente fixada em R$ 1 por litro.

Nesse caso, o desconto deverá ser aplicado diretamente no preço de venda e registrado na nota fiscal.

O valor de R$ 1 poderá ser alterado pelo Ministério da Fazenda conforme as condições do mercado internacional e a disponibilidade de recursos públicos. O programa também poderá ser interrompido ou prorrogado de acordo com a evolução do cenário.

Segundo o governo, mais de 25% do diesel consumido no Brasil é importado, o que aumenta a exposição do país às oscilações do petróleo e do mercado internacional.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ficará responsável por habilitar os participantes, acompanhar os preços e operacionalizar o pagamento das subvenções.

Etanol também terá impostos zerados

O governo também zerou temporariamente as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre o etanol hidratado vendido diretamente como combustível.

A desoneração representa uma redução tributária equivalente a R$ 0,19 por litro.

Assim como no caso da gasolina, a redução dos impostos não garante que todo esse valor seja automaticamente repassado ao preço final cobrado nos postos.

Petróleo perto dos US$ 100 pressiona preços

As medidas são adotadas em um cenário de forte volatilidade no mercado internacional. Segundo o governo, o petróleo Brent voltou a operar próximo dos US$ 100 por barril, acima dos patamares registrados antes do agravamento dos conflitos no Oriente Médio.

Uma das principais preocupações é a situação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo. Antes da escalada do conflito, aproximadamente 20% do petróleo mundial passava pela região.

A elevação das cotações internacionais aumenta os custos de produção, refino e importação e pode chegar aos preços pagos pelos consumidores brasileiros.

Governo libera R$ 6,6 bilhões para programa

Para financiar a política, o governo abriu crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões por meio da Medida Provisória 1.389/2026.

Do total, R$ 5,607 bilhões serão destinados à subvenção da produção e importação de diesel rodoviário. Outros R$ 998 milhões irão para subsídios relacionados à produção e importação de derivados de petróleo.

Os recursos ficarão sob responsabilidade do Ministério de Minas e Energia, enquanto a ANP fará a operacionalização dos pagamentos.

As medidas são temporárias e poderão ser revistas conforme o comportamento dos preços internacionais, as condições de abastecimento e a disponibilidade de recursos do governo.