
O jovem de 19 anos preso após o resgate de Ana Clara Alves Silva, de 13 anos, em Anápolis, teria planejado a fuga da adolescente com antecedência e adotado medidas para dificultar que ela fosse localizada. Segundo a Polícia Civil, ele chegou a estudar câmeras de segurança próximas à casa da menina e orientou que ela deixasse o celular para trás.
Os novos detalhes foram apresentados pela delegada Aline Lopes, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), durante entrevista à imprensa na quarta-feira (9).
Segundo a investigação, Ana Clara e o suspeito se conheceram pela plataforma Discord e mantinham contato havia cerca de dois meses. Durante esse período, teriam combinado como a adolescente deixaria a residência da família.
“Estava bolando um ‘plano à prova de erros’”, relatou a delegada ao reproduzir o que teria sido dito pelo jovem.
De acordo com a delegada, o planejamento incluía medidas para reduzir as possibilidades de rastreamento da adolescente depois que ela saísse de casa.
O jovem teria orientado Ana Clara a deixar o celular para trás. Os dois também teriam analisado a localização de câmeras de segurança próximas à residência para tentar evitar que a menina fosse registrada durante a fuga.
Ana Clara deixou a casa da família na segunda-feira (7). Segundo a investigação, ela se encontrou com o jovem e inicialmente foi levada para a residência dele.
A Polícia Civil afirma que o suspeito posteriormente alugou outro imóvel, onde pretendia morar com a adolescente.
Enquanto o jovem trabalhava, porém, a menina era mantida em um imóvel abandonado em Anápolis, segundo a polícia.
O local estava trancado pelo lado de fora com corrente e cadeado. Após diligências de inteligência, investigadores identificaram o local de trabalho do suspeito e realizaram a prisão.
De acordo com a DPCA, depois de ser detido, o jovem informou onde Ana Clara estava. Os policiais foram até o endereço e precisaram arrombar o imóvel para resgatá-la.
A adolescente recebeu atendimento psicológico e foi entregue aos familiares.
O suspeito foi autuado em flagrante por estupro de vulnerável e cárcere privado.
Por Ana Clara ter 13 anos, eventual prática de ato sexual pode ser enquadrada como estupro de vulnerável pela legislação brasileira, independentemente de consentimento.
A DPCA continua investigando o período de aproximadamente dois meses de contato entre os dois, o planejamento da fuga e as circunstâncias em que a adolescente permaneceu com o suspeito.
A prisão e a autuação não representam condenação definitiva, que depende do andamento da investigação e da análise do Poder Judiciário.