O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, minimizou nesta sexta-feira (11) as informações divulgadas após a retirada do sigilo de investigações relacionadas ao Banco Master. O senador, que aparece entre os investigados em relatório da Polícia Federal, afirmou que o material é “mais do mesmo” e não apresenta novidades sobre sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do banco.
Flávio voltou a defender que os recursos destinados por Vorcaro à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, tinham finalidade de patrocínio e eram legais.
O senador afirmou ter recebido com “tranquilidade” a decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo e defendeu a divulgação das informações relacionadas às investigações.
“Quanto mais transparência tiver, vou achar muito melhor. Quero transparência para tudo. Para o Master, para o INSS, em cima do Lulinha e de ministros do Lula”, acrescentou.
O candidato argumentou que, por atuar como senador de oposição, não teria condições de oferecer uma contrapartida política em troca dos recursos destinados por Vorcaro ao filme.
Flávio também disse acreditar que o avanço das investigações confirmará sua inocência.
A Polícia Federal, no entanto, investiga as circunstâncias envolvendo o financiamento de “Dark Horse” e as relações entre pessoas ligadas à produção e ao caso Master. A existência da investigação não representa conclusão de que Flávio tenha cometido crime.
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro também elogiou André Mendonça e fez críticas ao ministro Flávio Dino.
“Mendonça está certo [em retirar o sigilo]. Está sendo juiz. Queria que todos no Supremo fossem iguais ao André Mendonça, que não pesassem para lado nenhum”, afirmou.
A declaração ocorreu após decisões recentes de Dino relacionadas a investigações que alcançam integrantes da Polícia Federal e políticos ligados ao PL.
Uma delas suspendeu o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em outra frente, Dino autorizou uma operação que teve entre os alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo de “Dark Horse”.
A investigação envolvendo Frias apura suspeitas relacionadas à destinação de emendas parlamentares e possíveis conexões financeiras com empresas ligadas à produção do filme. As suspeitas seguem sob investigação.
Flávio afirmou que as decisões de Dino teriam finalidade eleitoral e pediu que o ministro seja formalmente investigado por suposta tentativa de interferência nas eleições.
“Estou pedindo que o Dino seja investigado formalmente nesta investigação para que ele pare de tomar decisões tentando interferir nas eleições”, disse.
O senador relacionou as decisões ao desempenho apresentado por ele em pesquisas eleitorais. No material apresentado, porém, não há evidências que demonstrem que as decisões de Dino tenham sido tomadas com objetivo de interferir no processo eleitoral.