O ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de mais um procedimento relacionado às investigações. O processo reúne informações sobre pagamentos feitos e recebidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e movimentações financeiras relacionadas ao Master.
A decisão alcança a Petição 15.645, ligada à Operação Compliance Zero, e foi tomada após cobranças para ampliar o acesso dos integrantes do Supremo aos documentos das investigações.
O procedimento contém relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e outros dados sobre transações financeiras. Com a decisão desta segunda, chega a 54 o número de procedimentos que tiveram o sigilo retirado no âmbito do caso.
A divulgação ocorre na véspera da sessão em que o plenário do STF deverá decidir se existem elementos suficientes para autorizar a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se nesta segunda-feira a favor da retirada do sigilo sobre o procedimento que reúne informações da rede de pagamentos de Vorcaro.
O posicionamento foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, após pedido apresentado por Moraes.
Segundo a PGR, o procedimento não estava visível ao órgão no sistema do Supremo. A avaliação foi de que o acesso ao conteúdo permitiria aos ministros analisar um conjunto mais amplo de informações antes da sessão desta terça.
Moraes já havia solicitado no domingo (13) a divulgação do material, sob o argumento de que a petição contém “elementos essenciais” para o julgamento.
Na semana passada, o ministro também criticou a forma como Mendonça vinha retirando o sigilo dos procedimentos. Moraes afirmou que houve uma divulgação “seletiva” e que parte dos documentos e arquivos digitais permanecia indisponível.
Mendonça, por outro lado, manifestou preocupação com a divulgação integral do material. Em ofício encaminhado a Fachin, afirmou que a abertura e o compartilhamento de todo o conteúdo poderiam “tumultuar o julgamento” e colocar em risco o andamento das investigações.
Também nesta segunda-feira, a Polícia Federal informou que entregou cópias dos dados extraídos de um celular apreendido de Daniel Vorcaro aos gabinetes de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
O aparelho, um iPhone 17 Pro, foi apreendido em 18 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero. Ao todo, oito telefones foram periciados durante a investigação.
Zanin havia determinado o acesso aos dados antes da análise do relatório envolvendo as mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro. Gilmar Mendes também solicitou o material.
Segundo a Polícia Federal, as cópias entregues aos ministros são idênticas à extração realizada no aparelho.
A PF informou ainda que o material original permanece sob custódia da instituição, com os lacres e mecanismos de verificação de integridade preservados.
O plenário do Supremo se reúne nesta terça-feira (15), em sessão pública, para decidir se será aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes a partir de informações reunidas pela Polícia Federal.
A análise não representa julgamento sobre a culpa do ministro e também não trata da abertura de uma ação penal. Não há denúncia formal contra Moraes.
O relatório policial tem 218 páginas e aponta a existência de 52 mensagens atribuídas a comunicações entre Daniel Vorcaro e Moraes nas semanas anteriores à primeira prisão do banqueiro e à liquidação do Banco Master.
Segundo o relatório, Vorcaro teria procurado Moraes preocupado com o avanço das investigações e pedido ajuda diante das medidas que atingiam o banco. Parte das mensagens enviadas pelo ministro teria utilizado o recurso de visualização única e, por isso, o conteúdo das respostas não consta do material recuperado.
O documento também aponta encontros entre Vorcaro e Moraes e menciona um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Segundo as informações reunidas pela investigação, o contrato previa R$ 130 milhões, dos quais R$ 80 milhões teriam sido pagos.
Esses elementos ainda estão sob análise e não comprovam, por si só, que Moraes tenha praticado qualquer irregularidade. O ministro nega ter atuado para beneficiar Vorcaro.
Caso o plenário autorize a investigação, novas diligências poderão ser realizadas para esclarecer as circunstâncias das mensagens, encontros e relações financeiras mencionadas no relatório.