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Antonelli virou o jogo: de promessa da Mercedes a novo número 1 da equipe
Italiano precisou de apenas 38 GPs pela Mercedes para chegar a oito vitórias, superando os sete triunfos de George Russell em 106 corridas pela equipe e colocando em discussão a hierarquia das Flechas de Prata.
14/09/2026 16h56
Por: Redação

Quando Kimi Antonelli chegou à Fórmula 1 em 2025, a lógica dentro da Mercedes parecia simples.

George Russell tinha experiência, conhecia profundamente a equipe e assumiria naturalmente o papel de referência após a saída de Lewis Hamilton. Antonelli, então uma das maiores promessas do automobilismo mundial, teria tempo para aprender.

Um ano e meio depois, talvez seja necessário inverter essa pergunta.

Quem está aprendendo com quem?

Aos 20 anos, Antonelli lidera o Mundial de Fórmula 1 de 2026 e acaba de conquistar mais uma vitória, desta vez no recém-inaugurado circuito de Madri.

Com o resultado, chegou a oito triunfos pela Mercedes em apenas 38 Grandes Prêmios.

George Russell possui sete em 106 corridas pela equipe.

A comparação não encerra a discussão sobre quem é o melhor piloto. Mas mostra a velocidade impressionante com que Antonelli está transformando potencial em resultados.

38 contra 106

Os números ajudam a dimensionar o fenômeno.

Kimi Antonelli pela Mercedes:
38 GPs
8 vitórias

George Russell pela Mercedes:
106 GPs
7 vitórias

São épocas, carros e circunstâncias diferentes, o que impede uma comparação direta de desempenho.

O que chama atenção é o ritmo da construção do currículo do italiano.

Russell chegou à Mercedes em 2022 e se consolidou ao longo dos anos como um dos principais nomes da equipe.

Antonelli precisou de pouco mais de uma temporada para ultrapassá-lo em um dos indicadores mais importantes da Fórmula 1: vitórias.

E Russell não está mal

Talvez esse seja o detalhe mais importante da discussão.

George Russell não está fazendo uma temporada ruim.

O britânico venceu o GP da Austrália e ocupa a segunda colocação do Mundial.

O problema é que seu companheiro está produzindo uma temporada extraordinária.

Depois de 14 etapas, Antonelli abriu 81 pontos sobre Russell.

A Mercedes também ocupa a liderança do Mundial de Construtores, aumentando ainda mais a importância do desempenho dos dois pilotos na disputa pelo campeonato.

Monza pode ter sido o ponto de virada

Se existe uma corrida capaz de simbolizar a transformação de Antonelli, talvez seja Monza.

O italiano largou apenas na 19ª posição após uma punição relacionada ao motor.

Terminou em primeiro.

Durante a recuperação, ainda ultrapassou Russell na parte final da corrida e conquistou uma vitória histórica diante da torcida italiana.

Antonelli tornou-se o primeiro piloto da Itália a vencer o GP em casa desde Ludovico Scarfiotti, em 1966.

Uma semana depois, chegou a Madri e venceu novamente.

Já não parecia apenas uma sequência de bons resultados.

Parecia a consolidação de um candidato ao título.

Hamilton e Ricciardo também mudaram hierarquias

A Fórmula 1 já assistiu a jovens pilotos chegarem a grandes equipes e rapidamente colocarem em dúvida posições que pareciam estabelecidas.

Lewis Hamilton fez isso em 2007.

O britânico estreou pela McLaren dividindo a garagem com Fernando Alonso, que chegava à equipe como bicampeão mundial.

Ao final da temporada, os dois terminaram empatados com 109 pontos.

Hamilton conquistou quatro vitórias e seis poles. Alonso também venceu quatro vezes, mas conseguiu duas poles.

O novato havia transformado uma temporada que deveria ser de aprendizado em uma disputa direta contra um bicampeão.

Daniel Ricciardo protagonizou situação semelhante na Red Bull em 2014.

Seu companheiro era Sebastian Vettel.

Não apenas um campeão, mas o vencedor dos quatro campeonatos anteriores.

Ricciardo venceu três corridas e terminou a temporada com 238 pontos. Vettel não venceu e ficou com 167.

A hierarquia mudou em questão de meses.

Antonelli pode estar escrevendo sua própria versão

Existem diferenças importantes entre esses episódios.

Hamilton e Alonso protagonizaram uma disputa praticamente equilibrada.

Ricciardo superou Vettel em uma temporada na qual a Red Bull já não possuía o carro dominante dos anos anteriores.

Antonelli vive outro cenário.

Ele não está apenas à frente de Russell.

Está liderando o campeonato.

E faz isso aos 20 anos, durante apenas sua segunda temporada na Fórmula 1.

De três pódios a candidato ao Mundial

A evolução entre as duas primeiras temporadas também ajuda a explicar por que Antonelli se transformou tão rapidamente no centro das atenções.

Em 2025, sua temporada de estreia terminou com três pódios e nenhuma vitória.

Foi um ano de aprendizado.

Em 2026, o salto foi brutal.

As vitórias começaram a aparecer, a regularidade aumentou e o italiano passou a aproveitar praticamente todas as oportunidades que surgiram.

Toto Wolff chegou a comparar a evolução do jovem piloto a um sistema de inteligência artificial que aprende continuamente.

A metáfora ajuda a explicar o que está acontecendo.

Antonelli ainda está aprendendo.

Só que agora está aprendendo enquanto vence.

Quem é o número 1 da Mercedes?

A Mercedes conhece muito bem os riscos de ter dois pilotos disputando protagonismo.

Lewis Hamilton e Nico Rosberg transformaram a equipe em palco de uma das maiores rivalidades internas da história recente da Fórmula 1.

A situação atual ainda é diferente.

Russell continua sendo um dos pilotos mais experientes e importantes do projeto. Mas os resultados de Antonelli começam a modificar inevitavelmente a percepção sobre a hierarquia da equipe.

Com nove etapas restantes, o italiano possui uma vantagem importante na luta pelo primeiro campeonato mundial da carreira.

No início da temporada, a dúvida era se Antonelli conseguiria acompanhar Russell.

Depois de 14 etapas, a pergunta mudou.

Quem consegue acompanhar Kimi Antonelli?

Se transformar a liderança em título, o jovem que chegou à Mercedes como promessa poderá terminar 2026 não apenas como campeão mundial.

Mas como o novo número 1 das Flechas de Prata.

Antonelli já tomou o posto de principal piloto da Mercedes ou ainda é cedo para colocar o italiano acima de Russell? Comente e acompanhe a Fórmula 1 em nosso portal de notícias e nas redes sociais da Lig Digital.