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Polícia mira ex-vereador Milton Leite em operação contra PCC em SP
Investigação apura possível infiltração da facção no transporte coletivo; ex-presidente da Câmara não foi localizado e afirma que vai se apresentar
17/09/2026 18h54
Por: Redação
Foto: Reprodução

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é alvo de mandado de prisão na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação apura uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e em empresas do transporte coletivo.

Milton não foi localizado pelos policiais durante o cumprimento do mandado em sua residência e passou a ser considerado foragido pelas autoridades. O ex-vereador, porém, afirmou que está viajando, negou ter fugido e disse que pretende se apresentar em até 24 horas.

“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou.

A operação prevê 16 prisões e 18 mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Investigação apura influência no setor de ônibus

Segundo a investigação, decisões estratégicas envolvendo empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC teriam passado pelo conhecimento ou pela aprovação política de Milton Leite.

Os investigadores afirmam ter chegado a essa hipótese a partir de interceptações e de elementos reunidos em outras apurações. Essas suspeitas ainda estão sob investigação e não representam uma conclusão judicial sobre a responsabilidade do ex-vereador.

A apuração também cita depoimentos de policiais militares segundo os quais Milton seria o proprietário de fato da Transwolff, empresa que já foi alvo de outras investigações.

A defesa da Transwolff contesta essa versão e afirma que Milton Leite nunca teve participação societária na companhia, não participou da gestão e não deu ordens na empresa.

Milton deixou a Câmara no fim de 2024, depois de sete mandatos. Atualmente, ocupa funções partidárias no União Brasil em São Paulo.

Ex-presidente da SPTrans está entre os presos

Entre os alvos da operação está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, ele teria mantido encontros periódicos relacionados a interesses de empresas de transporte investigadas.

A defesa de Levi afirma que ele não possui antecedentes e construiu uma trajetória de serviços públicos na cidade de São Paulo, especialmente durante a atuação na SPTrans.

Outro alvo é Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. A Polícia Civil afirma ter identificado indícios de ligação dele com integrantes do PCC e investiga a suspeita de financiamento de sua campanha municipal pela organização criminosa.

Polícia investiga 12 empresas

A Operação Vectura Corrupta apura a suspeita de que 12 empresas de transporte coletivo tenham sido controladas direta ou indiretamente por integrantes ou intermediários ligados ao PCC.

Entre as companhias citadas na investigação estão Transwolff, Viação Transcap, Alfa Rodobus, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes.

Parte dessas empresas já apareceu em investigações anteriores sobre possível atuação da facção no setor.

A Prefeitura de São Paulo informou que a operação não deve provocar interrupção do transporte público. A Transwolff já estava sob intervenção municipal desde 2024 e posteriormente teve decretada a caducidade do contrato.

Operação é desdobramento de investigação iniciada em 2024

A Vectura Corrupta é resultado de investigações que remontam à Operação Decurio, de agosto de 2024.

A partir da análise de materiais apreendidos, os investigadores passaram a apurar diferentes núcleos atribuídos ao PCC, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro, participação de intermediários e tentativa de ampliar a influência da organização sobre empresas e estruturas públicas.

Uma das frentes investiga a chamada “Sintonia dos Gravatas”, nome utilizado pela polícia para um grupo de advogados que teria atuado em benefício da facção para além das atividades regulares da advocacia.

A Polícia Civil e o Ministério Público continuam as investigações para determinar a participação individual dos suspeitos e verificar a extensão da possível influência do PCC sobre o sistema de transporte.