Durante quase duas décadas, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo fizeram parte da mesma conversa.
Recordes, títulos, gols, prêmios e uma rivalidade que atravessou gerações.
Agora, os dois continuam aparecendo nas convocações de Argentina e Portugal, mas por razões completamente diferentes.
Messi já sabe quando tudo termina. Cristiano ainda não.
Aos 39 anos, o argentino anunciou que encerrará sua trajetória pela seleção depois da Copa do Mundo de 2026 e terá uma partida de despedida diante de sua torcida.
Cristiano, aos 41, foi convocado por Jorge Jesus para defender Portugal na Liga das Nações. O atacante já confirmou que não disputará outra Copa do Mundo, mas ainda não anunciou quando deixará definitivamente a seleção.
São dois caminhos diferentes que apontam para uma mesma realidade:
o futebol começa a se preparar para viver sem Messi e Cristiano Ronaldo.
No caso argentino, não existe mais dúvida.
Depois da derrota para a Espanha na decisão da Copa do Mundo de 2026, Messi anunciou sua aposentadoria da seleção.
Mas faltava uma última oportunidade para jogar diante dos argentinos.
Ela acontecerá em 6 de outubro, no Monumental de Buenos Aires, contra Benin. Messi não participará dos amistosos contra Bolívia e Burkina Faso e estará presente apenas na partida preparada para marcar sua despedida.
Será o encerramento de uma relação que atravessou mais de duas décadas.
Messi chegará ao último jogo com 207 partidas e 125 gols pela Argentina.
Na Copa de 2026, marcou oito gols e deu quatro assistências durante a campanha que terminou com o vice-campeonato mundial.
A despedida acontece depois de o camisa 10 conquistar justamente os títulos que durante anos pareciam faltar à sua trajetória internacional: Copa do Mundo de 2022 e Copas América de 2021 e 2024.
Talvez o desafio argentino daqui para frente seja menos estatístico e mais simbólico.
Durante mais de 20 anos, acompanhar a seleção significou também acompanhar Lionel Messi.
A imprensa argentina já começa a tratar sua saída como o encerramento de uma época.
Uma observação do jornalista Andrés Burgo ajuda a dimensionar essa transformação: em dez das últimas 12 Copas do Mundo, a Argentina teve Diego Maradona ou Lionel Messi em campo.
Agora, pela primeira vez em décadas, uma nova geração terá de construir sua própria identidade.
Em Portugal, a situação é diferente.
Cristiano Ronaldo continua.
O atacante aparece na primeira convocação de Jorge Jesus como treinador da seleção portuguesa e estará disponível para o início da Liga das Nações.
Portugal estreia contra o País de Gales, em 24 de setembro, antes de enfrentar Noruega e Dinamarca fora de casa e novamente os noruegueses, em 4 de outubro.
A convocação mostra que Cristiano ainda é tratado como uma opção esportiva.
Jorge Jesus deixou claro que o atacante será avaliado pelo rendimento atual. Sua história possui um peso diferente, mas o passado não garante automaticamente seu lugar na equipe.
Existe pelo menos uma certeza sobre o futuro de Cristiano.
A Copa do Mundo de 2026 foi a última de sua carreira.
Depois da eliminação portuguesa diante da Espanha, o atacante confirmou que não disputaria outro Mundial, mas evitou tomar imediatamente uma decisão sobre sua permanência na seleção.
Posteriormente, afirmou que a temporada 2026/27 provavelmente será sua última como jogador.
A possibilidade de aposentadoria está cada vez mais próxima.
A data, porém, continua indefinida.
Existe até uma possibilidade que parecia improvável há alguns anos.
Se Cristiano continuar defendendo Portugal durante todo o próximo ciclo, poderá chegar à Eurocopa de 2028 aos 43 anos.
Mas isso ainda não representa um plano confirmado.
Sua participação dependerá do rendimento, das decisões da comissão técnica e da própria vontade do jogador.
Por enquanto, Portugal inicia a Liga das Nações com Cristiano disponível.
E com números difíceis de imaginar quando sua trajetória internacional começou.
São 233 partidas e 146 gols, recordes mundiais no futebol masculino de seleções.
Messi conquistou uma Copa do Mundo e duas Copas América.
Cristiano conquistou uma Eurocopa e duas edições da Liga das Nações.
Mas reduzir os dois aos troféus também seria insuficiente.
Durante anos, a camisa 10 da Argentina significou Messi.
A camisa 7 de Portugal significou Cristiano.
Os dois atravessaram gerações de companheiros, treinadores, adversários e transformações no próprio futebol.
Agora, suas seleções precisam construir o depois.
A Argentina já começa a abrir espaço para novos jogadores. Portugal também inicia uma renovação sob o comando de Jorge Jesus, embora Cristiano permaneça integrado ao projeto.
Durante muito tempo, qualquer conversa envolvendo Messi e Cristiano terminava em comparação.
Quem foi melhor?
Quem marcou mais?
Quem conquistou mais?
Quem decidiu mais?
Neste momento, talvez essa discussão seja menos importante.
Messi já sabe quando vestirá a camisa argentina pela última vez.
Cristiano ainda tenta mostrar que pode continuar vestindo a portuguesa.
Um já marcou a hora da despedida. O outro ainda parece negociar com o relógio.
E depois de uma geração inteira acompanhando os dois, o futebol começa a perceber que o fim de uma das maiores eras de sua história deixou de ser uma possibilidade distante.
Agora, é questão de tempo.